quinta-feira, 20 de março de 2008

Do lugar do adversário



Havia motivo de festa naquela manhã. Apesar da gritaria, fanfarrices e deboches desvairados, a cidade permanecia surda a esse verdadeiro redemoinho de demônios concentrado ali. A rotina despontava juntamente com os primeiros raios de sol sobre as pedras que calçavam as ruas, que aos poucos perdiam o brilho do orvalho da madrugada. O dia prometia ser muito quente. A cidade preparava-se para o dia... Com um leve desassossego do que de costume. Soldados romanos, nada de costume, passavam pelas ruas estreitas que conduziam para fora da cidade, como que vistoriando a ordem. Uma criança, saindo de sua casa, corre acompanhando um soldado, mas logo é agarrada por sua mãe que olha a tropa que vem logo atrás. Ela pensa: o que armam esses brutos em véspera do nosso sábado? Os flagelos embora tão comuns, sempre seriam repugnantes e não havia como explicar tais espetáculos de vergonha às crianças.
Em outro lugar, demônios de todos os ministérios estavam avisados do grande acontecimento e em caravanas para lá se dirigiam. Lá, era um lugar como outro, mas como não seria jamais. E iam pervertendo e arruinando a todos que encontrassem, já por conta da grande vitória assegurada.
Os olhos de todas as forças obscuras do cosmos eram voltados para aquele relevo, árido, fora, mas próximo à cidade. Pessoas então, também começam transitar mais do que o normal. Caminhavam para lá. Lá, era um lugar dos espetáculos. Procuravam-se os melhores lugares; na terra ou nos ares. O indefectível desejo mórbido presente nos expectadores. Expectativa. Burburinho solene.
D1 está sentado. A posição, como não poderia deixar de ser, era privilegiada. Está quieto e não pára de pensar; os olhos, no centro de lá. Lembra-se como tudo começou... A morte, convidada especial, sentara-se ao seu lado.
- Desculpe-me, baixeza - interrompeu D2, seu primeiro ministro - está tudo sobre controle. Ele já foi julgado. Em breve, afinal, assumiremos. Judas nem foi tão importante... Ele mesmo se entregou.
D1 não quis dizer, mas pensou: - É isso que me intriga...
D3, D4 e D5 invadem a presença de D1 com gargalhadas escarninhas... - Esse Pilatos é mesmo de morte eim!? Lavar as mãos!... Que idéia! Só mesmo um político - zomba D3.
D4, como um chefe de torcida, instiga o coro: - Barrabás! Barrabás!...
Embriagado de motivação, D5 ironiza: - Vejam só o que estão fazendo com ele! Nem nós faríamos melhor!
D1 não consegue se envolver. Não ri. Só pensa... Só olha.
Percebendo mas não compreendendo a preocupação de D1, D2 retoma o diálogo e o clima sério: - baixeza, já mandei averiguar. Nenhum dos que andavam com ele estão por perto. Não representam ameaça alguma. Nem mesmo o pescador metido a rebelde... Já o negou várias vezes...
- Três! - Corrige gritando D1, transparecendo certo descontrole.
- É verdade! - Emenda D3, quando é duramente reprimido por D2:
- Eu já não disse que essa palavra é proibida em nosso reino?!
- Me perdoe - diz D3 constrangido.
- Ora, isso também não fazemos! Blasfêmia! Você será rebaixado! - Enfurece-se D2.
- D4 lembra: - Não nos percamos... Também adoro um desacordo, mas hoje é dia de festa senhores!
Enquanto isso, a milícia infernal encontra-se impaciente. Fora da presença de D1, todos só imaginam o que será o novo reino de trevas e caos eternos. E D1 só imagina o que pode dar errado...
Ele olha agora, no palco há três colunas de pinheiro oriental, cravadas no solo. A vítima, carregava uma haste e deitam-na sobre esta como se fosse travesseiro. Está banhada em suor e sangue, extenuada. Outras duas gritam e se debatem, alternando o foco de atenção da platéia. O horror é menos pela morte do que pelo morrer.
Afigura-se um quadro pintado por demônios e toda sorte de potestades. Está por um fio a esperança. De repente, um vermelho carmesim, mancha com força a tela; ao mesmo tempo em que um grito lancinante rompe em desespero. Êxtase para o mal. Entretanto, o grito e o sangue aspergido com violência fazem D1 se lembrar, sem saber por que, do dia em que um jovem chamado Isaque seria sacrificado pelo próprio pai.
- Estou profundamente perturbado - pensa - os gritos desse me lembram os gritos daquele jovem... Por que? Por que?
Num estalo, a resposta para uma inteligência superior aos demais séquitos.
- É isso! É isso! - Já em desespero, vocifera D1. Freneticamente irado, levanta-se do seu lugar; e nessa ira já sucumbem milhares de seres inferiores... Ele grita com seus imediatos, e esse grito faz imediatamente tudo se calar:
- Vocês não vêem?! É o pai que sacrifica o próprio filho como em Moriá. Isso será para o nosso fim e não para a nossa glória!
Sem entender muito bem, D2 dá ordens de tentar conter o sacrifício. Desestrutura-se o comando maligno. D3 também não compreende tal paradoxo – inteligências terrenas também não - de como pode haver vitória ante a humilhação, a dor, a morte... Mesmo assim arrisca acalmar D1:
- Lembre-se baixeza que o braço do pai do menino foi contido...
- Ora, seu estúpido - já fumegante D1 diz, sem mais paciência - o que nunca teve mesmo. Explica: - Só o Altíssimo poderia conter o braço enlouquecido da fé daquele pai naquele dia... Agora é o seu próprio braço! Não haverá outra vítima que o possa agradar. Se não o impedirmos será o nosso fim para sempre!
Trovões, vento forte, horizonte precocemente escurecido retratam de maneira visível a batalha invisível que se trava. Legiões inteiras, todas as hostes, desesperadas, ensandecidas, contra um único braço que desce... De poder e amor desce. Incontível...

Um sussurro ensurdecedor se ouve dos lábios do crucificado: - Está consumado.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Sobre o Ter e o Ser (2)

Acho tolice essa discussão sobre ter e ser. Aliás, quase já não há mais discussão: o importante é ser e não ter. Eis o veredicto. E isso é apregoado em todos os cantos, não mais como filosofia-de-porta-de-igreja apenas, mas como filosofia-de-dentro-da-igreja, filosofia-de-caixa-de-entrada-de-e-mail, filosofia-de-professor-universitário-da-puc-querendo-impressionar-na-última-aula-da-sexta-feira, filosofia-de-bar-cabeça, filosofia-de-convite-de-formatura, filosofia-de-editora-de-auto-ajuda, etc. Só ainda não é a filosofia-de-barraco-da-margem-do-tamanduateí, porque o menino que fuça o lixão ainda não foi doutrinado no que significa ser, muito menos ter. Só sabe que é um menino barrigudo porque tem uma barriga grande... A beleza de ser é tão feia também!
Eu não sou convicto das pregações nem tenho certeza de nada. Por isso fiz essas brincadeiras com as palavras aí em baixo.
Tudo bem, chamam de fuga, brincar com aquilo que não conseguimos lidar internamente... Que seja. Fugirei sempre em que encontrar as portas do cárcere do senso-comum abertas.
Voltando: é tolice pensar que alguém deve ser feliz, por exemplo. Como se tivesse nascido assim. Quem disse que o ser humano é feliz por natureza? Deveria então nascer gargalhando ao invés de chorando. Não sou terapeuta de feto, - nem de fato - mas será que ele não chora porque passa do estado de paz e não-medo para o irreversível estado de ansiedade e medo? Chora porque nunca mais será o mesmo...
Mas isso também é uma teoria. Minha teoria. Não posso provar sequer com meu testemunho, se fora assim mesmo que se deu comigo... Faz tanto tempo. E no meu caso ainda teria um agravante, pois além da fase embrionária que precede a fase fetal, vivi a fase fatal, - que sucede a fetal, se algum descuido ocorrer - dadas as circunstâncias da minha natividade. Mas isso é outro assunto.

Na questão do ser, o máximo que conseguimos é ser humano, e não pleno.
Mais uma proposição: o que veio a ser foi feito do que se veio a ter.
Seu pai teve a chance de conhecer uma mulher. Ela teve uma ótima impressão dele. Tiveram um relacionamento. Tiveram a coragem de se casar. Tiveram outro tipo de relacionamento, mais específico (veja, estou falando de nossos pais, por isso essa ordem dos fatos). Sua mãe passou a ter náuseas, logo, e por fim, teve você, este ser tentando ser você mesmo o tempo todo. - Tai outra discussão: dá pra ser outra coisa senão nós mesmos? Enfim, outro assunto também.
O importante, diz o consenso, é que você deve ser... Contudo, e antes de tudo, você precisa ter a consciência de que precisa ser.
Ser é chato e presunçoso. Ter é humano.
Ser é ambíguo. Ter é umbigo.
Ser é uma floresta densa e intransitável.
Ter é uma rua de terra.
Não que eu seja contra o ser. Querendo ou não eu sou.
É que as crises de ser são mais severas que a do ter. Se você está em crise por você não ter, dá-se um jeito ou mesmo conforma-se. Se você está em crise porque você não é, aí não há jeito e nem nunca você vai se conformar com isso.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Sobre o Ter e o Ser

Se você quer termômetro,
você quer um termo por metro.
Se você quer térmico,
você quer um macaquinho.
Se você quer terminar,
você quer enterrar bombas.
Se você quer ternamente,
você quer decorar.
Se você quer terapia.
você quer se lavar.
Se você quer tergal,
você não quer Betânia.
Se você quer terremoto,
você quer mudar de canal...

Se você quer sermão,
você cansou de ser pé.
Se você quer sertão,
você quer ser um grande...
Se você quer serviço,
você quer exuberância.
Se você quer servo,
você quer um filho do teu filho.
Se você quer servil,
você quer ser mau.
Se você quer serpente,
você quer pentear.
Se você quer serafim,
você quer desejar.
Se você quer Serafina,
você quer ser modelo.
Se você quer sereno,
você quer ser antiácido.
Se você quer seresta,
você não quer ser aquela...

Mas para ser, você precisa ter.
Vejamos:

Se você quer sermão,
você precisa terapia.
Se você quer serviço,
você precisa termômetro.
Se você quer sereno,
você precisa ternamente.
Se você quer serafim,
você precisa terremoto.
Se você quer seresta,
você precisa tergal.

Ou seria o contrário?
Se você quer ter, você precisa ser:

Se você quer térmico,
você precisa sertão.
Se você quer terapia,
você precisa sermão.
Se você quer termômetro,
você precisa sereno.
Se você quer terminar,
você precisa serafim.

terça-feira, 11 de março de 2008

segunda-feira, 10 de março de 2008

domingo, 9 de março de 2008

Elas

sábado, 8 de março de 2008

quinta-feira, 6 de março de 2008

Homem-nagem à mulher

segunda-feira, 3 de março de 2008

Igreja vã gélica


Sua liturgia não urge mais.
Seus p-atores iludem a platéia
e hino-portuna é sua música.
Seu sermão deixou de ser mão.
Sua mensagem é vã gelho
e em suas orações
o sujeito vai à frente do Verbo.
Em seus cálculos
o dízimo múltiplo comum
determina o x do cristão.
Confundistes:
“Amar o próximo como a si mesmo...”
com “amar a si mesmo, comer o próximo.”
Sua palavra já não lavra nada.
Seus jejuns alimentam egos
e seu criador cria dor...
Sua pregação não proclama o Reino;
sua pregação reclama o rei na barriga...
Já não te crêem crente.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Quem se incomoda com as dores no fígado de Ingrid Betancourt?


Eu?
Tu?
Ele?
Os dois do paredão?
Os Hernandes?
Ronaldos, Kakás e seus passes?
Roberto Justus?
Que justiça, desse e de outros mundos?
Bill Gates?
Os deuses de todas as religiões do mundo?
Os curandeiros e seus passes?
Que forças armadas?
Os monges, armados de silêncio?
Os padres munidos de oratória?
Os fanáticos de todo canto?
O pastor e sua Bíblia-giratória?
Os ecologistas e seus ecos redundantes?
A alma das múmias das freiras?

A insônia duma coruja...
A paz da selva,
que se quebra no gemido lancinante.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Memória rã


terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Você cata cocô?

Veja a situação em que chegou esta espécie denominada Homo sapiens, o ser humano – e ao que parece não vai parar por aí.
O cãozinho vai à frente, cagando e andando literalmente e o homem, este ser incomparavelmente superior a qualquer outra criatura, vem atrás catando o cocô com um saquinho de supermercado. Por enquanto, pois este saquinho logo logo acabará, para o bem da natureza, aí ele deverá recolher o produto com sacola de papel mesmo, para ele, o homem, menos higiênico. Ainda quando o intestino do animalzinho estiver trabalhando normal, com sua produção em estado sólido, tudo bem; não sei como fazem quando esse órgão tem um desarranjo tornando pastoso o excremento.
O fato é que é constrangedor, você assistir um idoso, já até com certa dificuldade para andar, depois de ter vivido tanto e com tantas experiências de vida e boas estórias para contar aos netos, todas com lições de dignidade, respeito, auto-estima, etc., ter que... Cumprir mais esta civilidade: ele tenta dar um comando para que o cão pare enquanto ele faz a faxina; o cão não para quieto. Ele tenta travar aquele carretel que se usa agora, que permite você “dar linha” ao cão como se fosse uma pipa, mas não consegue. No entanto a consciência daquele idoso é pesada demais para que o cão o arraste e o faça desistir daquele ato educado e ele finca o pé. Deve catar o cocô de todo jeito. Com uma mão ele tenta segurar a linha e com a outra, enfiada no saco - de plástico do mercado – ele tenta apanhar o dejeto. O cachorro se enrosca na árvore do outro lado da rua, dando voltas naquele exercício de achar o melhor lugar para marcar território. A linha fica perigosamente esticada na rua, que embora tranqüila, é rua. E desde o tempo em que eu, moleque, tive as primeiras experiências com a lei de Murphy, sabia que para surgir um carro era só a linha da pipa ficar atravessada na rua.
Nisso, você que está assistindo, sente um misto de vontade de rir com vontade de ajudar. Ri, mas também vai ajudar; além de tudo ainda lhe resta mais virtudes em você do que você imagina. Tenta tirar da mão daquele senhor o carretel e recolher o cão. Lógico. A outra opção de ajuda nem pensar: catar o cocô de cão alheio já seria virtude demais que nem gregos chegariam a tanto.
Enfim aquele senhorzinho não cede, mantém os punhos serrados; um segurando o carretel com firmeza o outro segurando o cocô nessas alturas já esmagado, pois pensa o velho: o dia em que eu não puder mais, sequer recolher as fezes do meu cão sem precisar de ajuda, pode me enterrar vivo...
Ou então aquela moça, toda graciosa, figurino impecável para aquele momento, anda com seu bichinho de raça pelas calçadas. No bolso traseiro de sua bermuda, ela pensa que não, mas você já observou a pontinha do saquinho plástico – afinal de contas é sempre a primeira região para onde se dirige o seu olhar, depois, por extensão você vê o complemento até chegar à extremidade da cordinha, e ver aquele sujeitinho peludo e sortudo a puxar aquele figurino. Ela tenta fazer de conta que não liga quando seu yorkshire – aquela raça que parece um pedaço de estopa suja de graxa - começa dar umas voltinhas. Olha então para um lado e para o outro disfarçadamente, mas sabe que é inevitável o ato que se prenuncia e arma o bote. Bote porque precisa ser rápida e certeira. Não pegaria bem se alguém flagrasse tal cena: a obra de arte catando a obra. Mas é bom que se diga: algo nela diz a você que ela faz tudo isso menos por uma atitude de cidadania que por um medo de, abandonando ali a obra, ter que encarar o possível vexame de um bate-boca com um vizinho.
Uma colega lembrou a esse asséptico narrador de qual é o pior momento: não é o de ver o cãozinho caprichando enquanto alguns desocupados ficam na espreita, atrás da cortina de uma janela, atrás dum carro, olhando se ela vai cumprir o seu dever. Também não é o fato de ter que completar todo o percurso pagando o mico de carregar aquela sacolinha, que obviamente não pode retornar ao bolso. Mas o pior instante, por mais breve que seja, é o contato da mão com aquele, por assim dizer, corpo, que de tão quentinho, parece vivo. É aí que ela dá uma olhadela para ele, o autor, que está sentadinho, também a fitando como quem diz: viemos pra ficar.
Mas tal é a importância dos animais domésticos para nós, seres humanos, que as coisas caminham para uma adaptação total dos costumes e dentro em breve já ninguém estará reparando nisso e achando tudo muito normal, até finalmente se tornar inquestionável mesmo, é a importância que terá o ser humano para o animal doméstico... Afinal de contas ele não Pet, ele manda.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Um palíndromo

Um dos meus preferidos pelo paradoxo que exprime:

ELA RELAVA A VALER, ALÊ.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Diante do trono


Não adianta chorar a b...enção derramada.

Peço desculpas àqueles visitantes que não conhecem esse universo evangélico e que não tem a mínima idéia do que venha a ser isso aí em cima... No fundo mesmo, nem eu estou entendendo mais nada.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Pra não dizer que não falei da engenharia

PROVÃO DE ENGENHARIA

1. Solução Estrutural

a) Gangorra
b) Balanço
c) Piscina de bolinhas
d) Lan house

2. Presente em estruturas de concreto:

a) Armadura frouxa
b) Armadura resignada
c) Armadura covarde
d) Armadura cabra-macho

3. Tipo de esforço solicitante:

a) Cerol
b) Cortante
c) Vidro-moído
d) Larga-disso-moleque-que-é-perigoso

4. Elemento utilizado na via do metrô para captação das correntes de fuga:

a) Barra chata
b) Barra mala-sem-alça
c) Barra gente-fina-pra-caramba
d) Barra fazendo terapia

5. Tipo de secção de viga comum em obras-de-arte:

a) Vala-comum
b) Caixão
c) Saco
d) Cinzas-sobre-o-rio-Siena-ao-entardecer

6. Utilizado para suspender peças estruturais:

a) Primata
b) Homem de Neanderthal
c) Macaco
d) Tarzan

7. Tipo de contenção:

a) Cortina
b) Veneziana
c) Vidro fume
d) Quando-o-sol-bater-na-janela-do-teu-quarto

8. Estrutura de apoio em obras viárias:

a) Encontro
b) Despedida
c) Furão
d) Te-mando-um-email

9. Solução para apoio:

a) Ombro-amigo
b) Mó-força
c) Consolo
d) Ema-ema-ema-cada-um-com-seus-problema

10. Compõe um perfil metálico:

a) Espírito
b) Alma
c) Tricotomia
d) Assombração

11. Processo após concretagem:

a) Cura
b) Sara
c) Nas-últimas-mas-a-família-tá-conformada
d) UTI

12. Barra de 12,5mm:

a) Barra de meia
b) Barra descalça
c) Barra de pantufas
d) Barra-teimosa-vai-pegar-um-resfriado

13. Elemento metálico para fixação de estruturas:

a) Incerto
b) Inserto
c) Hesitante
d) Pode-crê


14. Utilizado em vedação que permite ventilação:

a) Elemento-vazado
b) Elemento-socorrido-e-fora-de-risco
c) Elemento-estranho
d) Elemento-armado e perigoso

15. Desenho de uma força:

a) Momento
b) Instante
c) O-tempo-não-para
d) Até-segunda-bom-fim-de-semana

16. Disciplina das estruturas em aço:

a) Nirvana
b) Metálica
c) Mamonas
d) Os-dois-filhos-de-francisco

17. Caixa em alvenaria para manipulação de cabos:

a) Caixa de passagem
b) Caixa veio-prá-ficar
c) Caixa reintegração-de-posse
d) Caixa quem-é-vivo-sempre-aparece

18. Terra a ser retirada do local:

a) Happ ouer
b) Bota-fora
c) Chá-do-bebê
d) Churrasco-na-laje-com-pagode

19. Líquido formado na superfície da peça concretada:

a) Capuchino
b) Leite-de-búfala
c) Nata
d) Chá

20. Sigla para Ferro Galvanizado a Fogo:

a) FoFo
b) FoFinho
c) FoFão
d) GraCinha

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Auto-ajuda (2)

Vamos lá para mais alguns títulos. Não li, mas adorei.


O amanhã a Deus pertence...
Então até a meia-noite, se vira meu!

Você tem o infinito na palma da sua mão...
E debaixo dela um mouse pra você trampar.

Você é do tamanho dos seus sonhos...
Só não caia da cama, senão você morre na queda.

Transforme suor em ouro.
Depois lave o dinheiro que estará fedendo.

Ninguém é de ninguém...
você não é ninguém;
logo, você é de alguém que não é ninguém.

Mulheres são de vê nus.
Homens são de matar.

Casal inteligente enriquece junto.
Que o digam os Hernandes.

Corra riscos!
Depois corra,
nesses casos
um auto ajuda.

Fui-del Castro


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Intestino solto


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Escatolhogia


Isso aí não é um ET não. É a projeção de seres humanos daqui algumas gerações. Estudos científicos comprovam algo bem perto disso, segundo as prospecções da seleção evolutiva e adaptação do homem ao seu habitat e grupos. Mas calma, isso ainda vai demorar um pouco, espero. Espero que meu nome já tenha sido varrido, célere e descartadamente como se faz aos componentes de hardware ultrapassados.
Vamos à figura:
Observem que a boca é minúscula. As outras formas de comunicação, especialmente os e-mails, orkuts, etc. terão recursos avançadíssimos, o que não vamos pormenorizar aqui já que estamos falando de biociência, que trata dos seres vivos, e máquina não é ser, muito menos vivo, por mais que um chip lute pelos seus direitos de placa-mãe. Desculpem, desconsiderem essas últimas palavras que escrevi de maneira passional e que não cabe a um relato científico.
Assim, a linguagem verbalizada será esquecida. Ninguém falará com mais ninguém. Até mesmo as fofocas, hoje tão famigeradas, rodarão em outras plataformas que não as línguas. Aliás, a língua será um órgão atrofiado dentro da boca, por assim dizer uma segunda amídala, podendo ser arrancada a qualquer hora. Pelo menos um território a menos para as aftas. Mas uma palavra na ponta da língua que você quer se lembrar estará mais próximo de ser engolida e esquecida para sempre.
Como as pessoas através dos séculos foram fazendo suas refeições cada vez mais diante do monitor, os alimentos se transformarão em líquido finalmente, o que apenas exigirá que a boca abra o suficiente para um canudo.
A orelha, por tabela, se atrofiará. Nessas alturas, ninguém estará ouvindo mais ninguém, em toda abrangência de sentido que esse verbo possuía: ouvir no sentido de simplesmente escutar o som da voz de um interlocutor; ouvir no sentido de dar-ouvidos, aceitar; ou ouvir no sentido de acolher, consolar. Embora seja o tímpano que capte os sons, essa concha cartilaginosa de arquitetura complexa, funciona como radar para os sons médios da voz. Assim, com a diminuição dessas ondas e o aumento de furos para instalações de adornos, ela irá definhando. Azar de quem fazia uso da auriculoterapia, que é o tratamento através do estímulo dos pontos reflexos espalhados na orelha e que correspondem aos demais órgãos, empregada pelo acupunturistas. Talvez esses pontos não desapareçam, mas ficarão tão espremidos, como família grande em pensão, que uma única agulha atingiria a todos simultaneamente provocando um curto e o conseguinte desequilíbrio da saúde. Tola preocupação; essa prática já terá desaparecido há muito.Vantagem nessa redução? Bom, talvez aquela pulga-atrás-da-orelha seja mais facilmente descoberta.
Os olhos, ao contrário da boca e orelha, se desenvolverão de maneira uniforme com as pálpebras e os orifícios cranianos também se expandindo, garantindo assim que o globo ocular não fique saltado. Essa deformação ocorrerá na proporção das deformações da boca, língua e orelha, menos pelo princípio da compensação de sentidos do que pela culpa mesmo dum exercício exacerbado dos olhos. Os olhos estarão mais, muito mais pregados à tela – não só do monitor, mas naquele tempo, já estarão espalhadas pela casa - e às milhares de informações, pois estas se mutarão com assombrosa rapidez a tal ordem que estimularão de forma impressionante a órbita ocular, a íris, a córnea e os nervos ópticos. Isso a ponto de, para a lubrificação dos olhos, só piscar na hora das – ou da – refeições. - portanto, as pálpebras se retrairão. Ainda mais quando se soube que estavam certas as teorias de que piscar paralisava parte do cérebro, que o cérebro perde informações do mundo exterior naqueles brevíssimos instantes. Bastava uma continha simples e assim fizeram: se piscamos em média 12 vezes por minuto, piscamos 17.280 vezes por dia; e se considerando que cada uma dessas trevas dura um décimo de segundos, então o cérebro se desconecta, com esse ato banal, por 28 minutos por dia aproximadamente. Um absurdo de tempo! Constataram. Nem um download dos mais demorados no início do século XXI precisava tanto. Em 28 minutos se perdem negócios, chances... Fica-se obsoleto. Você deve estar pensando: “você se esqueceu de descontar as horas de sono.” Sono? Esse usurpador do tempo precioso fora totalmente erradicado.
Vê-se também um achatamento do lado esquerdo do crânio. No hemisfério esquerdo, onde se localizava o córtex responsável pela motricidade da fala: processamento da linguagem e o córtex responsável pela compreensão verbal: interpretação e conhecimento. Ambos se definharam por motivos já expostos acima.
Voltaremos noutro momento com o restante do corpo. Mas antes de fechar essa página, olhe bem para a figura e dê algumas piscadas, só para garantir, e fique feliz de ainda poder perder esse tempo lendo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Intestino preso


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Discriminação de raça...




Estão pegando no pé - nesse caso passando por cima mesmo - dos evangélicos.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A Qualidade ainda me manda pro inferno


A Qualidade está me deixando burro... E cruel. Gestão da qualidade já me deu congestão e preciso vomitá-la para melhorar. Escrever é uma boa; não que o leitor seja o recipiente, mas quem sabe você vive a mesma crise e juntos possamos enfiar o dedo na garganta desse sujeito-perfeito que mora em nós.
Há uns sete anos atrás, fui convidado a fazer um curso de “auditor da qualidade” - acho que era esse o nome – na empresa em que eu trabalhava. Não sei se porque era meu perfil, ou se visto de frente mesmo tinha a cara de um cara certinho... Enfim, fiz o curso estudei melhor a Política de Qualidade da empresa e logo estava treinando e sabatinando novos funcionários.
O problema na Qualidade é que você adquire uma cultura do não-erro que extrapola processos e resultados, como se fosse um vírus criado a partir mesmo do próprio corpo normativo. Levei isso, essa coisa, para outros lugares, não só às demais empresas em que prestei serviços, mas até na barraca de pastel da feira, encontrava esse sujeito-perfeito fazendo suas pregações, querendo converter um japonês cansado, desde as quatro da matina ali com uma escumadeira na mão, saturado como a gordura da fritura, desejando aspergir-la em mim, como se faz aos pombos. Pombo incomoda os fregueses, mas não faz proselitismo.
Ao final, e para me corromper de vez de tanta Qualidade, levei-a para casa. A casa da gente é uma empresa, com a diferença que você a ama. E amor não combina com Qualidade. Esta fica esperando o momento de poder trair aquele... Mas eu, quer dizer, o sujeito-perfeito estava convertido à Qualidade; quase cego de tanta luz, como todo convertido a (o).
Aí comecei a enumerar não-conformidades na cozinha, na sala, nos quartos... Julgar processos, i. é, como os meus queridos faziam as coisas e quais eram os procedimentos corretos para determinados resultados. “Procedimento”: esta é uma expressão chave, que ao invés de “fazer”, determina a seriedade das questões tais como: conseguir uma padronização no manuseio de retirada da massa fecal, cocô, da cadela, por exemplo. É bom lembrar que até os animais – alguns já in memoriam – deveriam obedecer, ou se adaptarem àquela política, a fim de não receberem não-conformidades no lombo. Lembro-me agora que tivemos uma calopsita que “durou” muito pouco, talvez por desgosto de não conseguir não fazer tanta sujeira para fora de seu viveiro, como a Qualidade requeria.
Na Qualidade, para se conseguir um objetivo, um resultado satisfatório, você enuncia um procedimento. Só que quase sempre há falhas na abrangência de implementação desse primeiro procedimento, então um segundo procedimento é imposto para assegurar o sucesso do primeiro; uma ação-corretiva. E depois um terceiro e um quarto e assim sucessivamente até a garantia plena da sustentabilidade do regime. Exemplo: “ai, esqueci de desligar o micro”. Uma falta grave, um desvio inaceitável, pois ligado a noite inteira sem precisão é um consumo de energia desnecessário. Um lar que deseja a Certificação IZO alguma coisa, jamais deve reincidir nesse Erro. Então a Qualidade pergunta: “que procedimento, vamos adotar para evitar esse esquecimento”? - aliás, essa é uma palavra abominável para a Qualidade. Ela não deve existir. A só verbalização da mesma já depõe contra quem a proferiu, valendo-lhe assim uma ação-corretiva. Determina-se então um procedimento: pode ser um aviso de “desligue o micro após o uso” que é colocado na tela do monitor; um “funcionário” sugere colocá-lo sobre o monitor por motivos óbvios. Tudo bem. Só que um dia a empregada remove o papel que já estava caindo e deixa na gaveta. Bingo! O desvio se repete. Agora alguém culpa a empregada. Segue-se a ação corretiva e outro procedimento para garantir o primeiro é adotado: “demita a empregada”, alguém sugere, mas tal ação é logo descartada: todos concordam que não se pode matar uma mosca com tiro de bazuca – e a Qualidade também prefere fazer estragos aos poucos. Chega-se a um consenso que um outro aviso seria corretivo se colado na porta do quarto da empregada, ou na porta do banheirinho onde a faxineira se troca, com dizeres: “Favor não arrancar nenhum aviso”. E assim, incessantemente os procedimentos vão proliferando, evitando os chamados desvios, garantindo a manutenção do sistema da Qualidade para a perfeita satisfação do cliente. Bom, só não sei, nesse caso, quem é o cliente... Pode ser o Diabo, ou mesmo um d-eu-s qualquer.
Também tem a ação-preventiva, que é um procedimento que se toma mesmo antes de qualquer desvio ser cometido. Quando você toma conhecimento da sua ocorrência em outros lares-empresa ou por intuição própria, de um paranóico que acha que todo acaso trágico certamente acontecerá com ele... E por aí vai.
A Qualidade não conhece perdão. Quer ver você perfeitamente neurótico. Por isso meu temor: se não perdoar desvios e sendo tão sem erro acabo no inferno, que cada vez acredito mais que não é lugar dos errados, mas dos perfeitos. Se não largar dela, da Qualidade, receberei das suas próprias mãos a Certificação que o diabo engomou.
A tal busca da Excelência é cheia de sutilezas. Quando ouço isso ouço também ecos rimados de busca de inclemência, de rabugência, de intolerância... A Excelência é a filha mimada e caçula da Qualidade que por seus caprichos, fez deserdar seus irmãos mais velhos, o Ótimo e o Bom.
Não faço uma ode ao erro nem ao medíocre, mas um apelo, com o resto de neurônios que ainda tenho não queimados por ela: cuidado, ela está embutida e enrustida na sua visão de tudo; na sua religião, na sua ética, nos seus preconceitos legitimados pela unanimidade, na sua relutância em não pensar errado, no seu céu, no seu deus... Resista!
Alguns experts nessa matéria da Qualidade poderão encontrar erros na forma como a descrevi aqui, seus conceitos e filosofia. E é o que eu quero. Já será um sintoma agudo da minha franca recuperação.
Enquanto tenho chance de me safar das suas garras que quer me mandar para aquele lugar que ninguém deseja nem, como Dante, visitar, vou tentando reconstruir o que desconstruí... Para isso já estou pensando em alguns procedimentos.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Automazelas

Air bag dúbio.
Amplo porta-males.
Astuto solar.
Ar dissimulado.
Banco desdouro.
Bloqueador de caráter.
Carinha dupla.
Desalentador traseiro.
Decisão escamoteável.
Faróis de humilha.
Freio ardis.
Ignomínia eletrônica.
Trama elétrica.
Traição nas quatro rodas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Poder do Ponteirinho


Começo de ano é época boa de falar nisso.
Quando quero ver a hora passar, fico olhando para o relógio da parede... O ponteiro dos segundos me hipnotiza; o dos minutos me concentra; o Ponteirinho das horas, velozmentente imóvel, me escraviza. Faço o que ele manda sem questionar. Ele é meu senhor e não me esqueço dele. Se me esquecer sou punido severamente. Ele é a constância inexpugnável que ignora a minha presença. Sou seu súdito, mas para ele é como se eu não existisse. Eu o vejo o tempo todo; ele, muito de vez em quando, e só de soslaio, me lança um olhar indiferente. O Ponteirinho é um deus arrogante e irônico. Regente do destino, ele é a batuta que inexoravelmente, não só a mim, mas a todos vem reger, com movimentos rotineiramente imprevisíveis.
Mais ou menos assim: eu estou em um determinado lugar e ele está apontando para o número dez, e é noite. Quando ele voltar a estar na mesma posição vai me querer em outro lugar, e não adianta eu espernear, berrar, protestar, pois lá estarei. Ou não, vai me querer exatamente no mesmo lugar, e ali vou estar. Posso estar num gozo total, vivendo um instante especial, mas quando ele completar a circunferência me quererá noutra situação, deprimido ou não e sob as mesmas circunstâncias de sempre.
Não é um déspota o tempo todo, diriam alguns criados mais conformados, e me promete recompensas se a gente corresponder a seus quereres e oferecer constantes sacrifícios. Por exemplo: ele está assentado sobre o oito e é dia; quando estiver ali de novo – momento esse, inteiramente a seu critério - me permitirá estar com meu amor, comigo mesmo, ou qualquer coisa assim estimada. Porém, exatamente aí está a sutileza pérfida de sua benevolência: sutil como é seu deslocamento, ele joga com seus servos dando-lhes a ilusória noção de que são felizes sem se aperceberem que é ele, o Ponteirinho que, digamos assim, empresta uma felicidade. Empresta porque não é nossa. Ele determina, no universo medíocre das nossas compreensões, quando devo ser, ou melhor, estar feliz. É o mais torturante dos flagelos: curtir a mediocridade deitados no confortável sofá da subserviência.
De certo que disfarço isso que sei, escondendo dele qualquer plano de resistência. E agradeço, isso sim, sua clemência em não me fulminar de vez. Já estou correndo um risco terrível com essa simples narrativa, que o faço sem tirar os olhos do relógio na parede. Aliás, já estou cometendo uma insurreição só em estar pensando. Ao menos isso posso fazer, pois ele não tem como saber que penso... Ou tem? Ocorre-me agora algo de mais aterrador: ele sabe e não liga. Por mais que eu pense, dele não fugirei. O pensar é um velho moribundo numa cama, com lindo lençol de cambraia a lhe cobrir, sendo assistido por tantos especialistas, contudo, lânguido, completamente inválido mesmo, de olhos pregados no velho relógio a não perder as devidas ministrações dos seus remédios.
Quem sabe se nós todos nesse ano, possamos ser menos obedientes a esse poderio do Ponteirinho e, como um instrumento que atravessa numa sinfonia, desarmonizássemos de vez em quando, mesmo que nos custe umas solitárias e a platéia se ria disso com escárnio...
Ah, como seria prazeroso o poder continuar esse relato-desabafo, mas sinto já o aroma dos incensos vindos do seu altar e que exigem a minha presença. É uma pena, mas agora tenho que ser feliz.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Revelação


Vejam a história desse pastor que nas minhas andanças conheci.
Ele conta que em sonho recebeu uma revelação que dizia:

TENHA FÉ QUE A IGREJA COMPARECE.
mas ele entendeu:
VENHA E FECHE A IGREJA COM PAREDE.

Agora, desolado, ele aguarda segundas ordens...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Um palíndromo



O VITAL É RELATIVO

(não tente fazer em casa)

Aedes


quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Mais dos ismos...








terça-feira, 8 de janeiro de 2008

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Bicho na Palavra

Não adi anta,
vivo num dil ema,
de difícil expli cação:
minha palavra m ostra
que ela apenas in foca
aquilo que con servo,
e por mais que eu ce lebre
o poder do meu disc urso
e o suor de cavá-lo,
a vida o des barata...
O conceito se es garça.
Então, meu passo cam baleia,
Em paca.
É quando o vexame se acu mula,
até que, de vergonha es touro,
por não ser aquilo que de monstro.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Achei !!


Finalmente achei! Só não posso revelar onde foi que achei... A verdade; a plena verdade. Se eu disser logo estará abarrotada de gente, que como voces podem ver, não cabe muita gente. A verdade é para poucos; a plena verdade então, é para pouquíssimos!

Lá no fundo, no quintal, fico imaginando que deve haver aquela árvore do conhecimento do bem e do mal. Não uma bela macieira como muitos imaginam, mas uma velha mangueira, onde inclusive vêm as vacas a comer seus frutos. Muitos deles caídos no chão, de podres, com cultas moscas varejeiras a sorver seu conhecimento.

Valeu ficar afastado da minha querida Sampa uns dias.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O Presépio e a Prosápia

Deus estava aflito naquele dia. Não era pra menos, seu filho iria nascer. Embora naqueles tempos não houvesse as tecnologias de hoje, que já definem o dia certo para o nascimento e revela o sexo da criança, Deus já tinha essa previsão. Sabia o dia e também que seria um menino, pois o Espírito Santo é o Deus ultra-som, que revela o que está dentro.
Porém, as coisas ainda não estavam todas arrumadas. Não havia um enxoval, nem hospital, nem mesmo uma casa com uma parteira e, para piorar a situação, Maria e José, os pais terrenos, estavam de viagem. Pelo menos tinham uma condução: um jumento, no lombo de quem ia Maria e dentro dela a criança.
Já estavam adentrando a cidade de Belém, e Maria, com as dores de contração, gemia na madrugada, onde só se viam algumas casas ainda com as lamparinas acesas. José não teve outro jeito senão, como um pedinte, bater na porta dessas casas pedindo abrigo para a hora do parto. As pessoas olhavam desconfiadas de dentro das casas e achavam estranho: um moço forte que de maneira nenhuma parecia com um mendigo, segurando um jumento sobrecarregado de bugigangas e, sobre o animal, uma mulher grávida, já quase parindo na verdade. Se pensarmos bem era mesmo estranho: que pai e marido desnaturado era esse que trata assim seu filho e esposa? Aliás, pra nós há tanta coisa estranha que não compreendemos... Ainda mais quando só ficamos olhando da janela.
José não tinha nenhum convênio de saúde, nem de amizade com ninguém naquelas paradas, mas alguém lhe deu cobertura, que na verdade era uma cobertura ao Plano de Deus. Esse alguém lhe cedeu um estábulo; um curral para gado e outros animais. Não era nenhuma maternidade, mas servia. O precário preparado por Deus é melhor que a fartura assegurada pelo homem. Nisso José acreditava, então ali mesmo amarrou seu jegue.
Depois que ajudou descer Maria com todo cuidado e a colocá-la sobre um amontoado de palha, fez uma vistoria no local. Foi olhando as baias dos animais para ver onde poderia repousar Maria com maior conforto, a fugir do frio e do vento que fazia. Havia água em abundância de uma nascente, que oferecia, junto com o assobio do vento e o ruminar de alguns animais, a trilha sonora para o ambiente. Contudo, José estava mesmo preocupado era de como ajudaria Maria no parto, tarefa dada às mulheres em sua cultura. Acalmou-se quando, voltando para onde Maria estava, a encontrou junto de uma outra mulher. Era uma jovem que lhe pareceu da mesma idade que sua esposa e tendo tirado um pouco de leite da cabra que estava ali, servia à Maria. Apresentou-se como uma serva dos donos da casa. José relaxou, riu e agradeceu a cordialidade, enquanto afagava a cabra, um animalzinho dócil e totalmente alheio à movimentação fora da rotina da estrebaria. Aliás, como todos os demais animais; até parecia que já aguardavam tais visitantes.
José, então mais sereno, foi até uma manjedoura, um tabuleiro de tronco escavado, onde se depositavam alimento ou mesmo água para os bichos. Jogou um volume razoável de água ali para um mini banho e, enquanto jogava água no rosto pensava: - Ah se eu estivesse com as minhas ferramentas aqui... Com essas sobras de madeira faria um lindo berço... – Mas o que é engraçado na vida, é que Deus não está nenhum pouco preocupado com o que é perfeito e acho que Ele dá muita risada com a nossa busca da perfeição. Ele monta um presépio em cima da nossa prosápia. Explico: a prosápia é a nossa jactância, a nossa vaidade, o orgulho do nosso bom senso de sempre acharmos que temos o melhor para o outro e para o mundo. Aí entra Deus e deixa com que a vida nos arme uma situação desconcertante.
Bem, mas este narrador não está aqui para dar lição de vida a ninguém. Voltemos à narrativa:
As contrações aumentavam e Maria gritava à vontade, já que não havia a quem importunar. Junto dela, José lhe fazia carinhos e enxugava o suor da testa, ao mesmo tempo em que, aflito, olhava para a moça sentada numa pedra a fazer gracejos com um cabritinho, sem demonstrar a mínima preocupação com a hora do parto.
De repente ela se levanta e pede que ele encha de água uma talha grande e se acalme. José obedece prontamente e fica a observar a meia distância. Recosta-se num maço de feno e, mais calmo, percebe que está muito cansado. Seus olhos estão pesados e aos poucos ele vai perdendo o contato com as coisas à volta; o ruminar incessante dos bois, o barulho de uma portinhola batendo a cada passagem de rajada de vento, a corrente d’água, um balbuciar calmo das duas mulheres...
Acorda abruptamente com o choro estridente do menino que nascia. Fica paralisado ainda por um pouco, pensando se poderia ser uma alucinação de viajante exausto. Não era. Era seu filho mesmo que vinha. Os animais estavam estanques; o vento parou de assobiar. Um clarão se fez lá fora e José tentou olhar para ver se já amanhecia, mas ainda estava preso o seu olhar em Maria. Não foi correndo pegar o nenê como todos imaginam que um pai faria. Levantou-se e foi até a manjedoura lavar o rosto, que já não tinha mais a água bebida toda pelos animais. Só então, viu ali mesmo, um lugarzinho apropriado para deitar seu bebe. Limpou a manjedoura e depois forrou com sua túnica. Arrastou até próximo de Maria. Ela o olhou com muita ternura e depois para o menino, já deitado na manjedoura. Estava pronto o primeiro presépio. Vieram visitantes, alguns nobres, mas nenhum levou câmera para registrar a imagem...
Assim, confessa este narrador, que não sabe precisar exatamente como era esta cena para poder descrevê-la.
Porém, porque continuará existindo a impossibilidade de falar daquilo que não entendemos e apenas sentimos, é que o presépio de Cristo continuará sendo montado. Um presépio sobre nossas presepadas palavras. Porque uma verdade tão sublime e única; o Mistério insondável da encarnação de Deus em Jesus de Nazaré, capaz de transformar a vida do homem, não se define com palavras, mas com burrinhos, vacas, pombos, manjedoura... Feliz Presépio pra você.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Definitivo

É definitivo:
nada em mim é definitivo...
Nem mancha de nascença,
nem marca de cicatriz;
até mesmo a minha crença
em minha melhor convicção
estará sempre por um triz.
Não tenho tatuagem;
não persevero num vício;
não adoro uma imagem
e não sigo comício.
Nada me é definitivo;
nem a micose nem a frieira,
objeto e objetivo;
nem eu, sem eira nem beira.

Blogueiro de M...eia tigela

Não consigo levar nada a sério mesmo... Que blogueiro é esse que fica mais de dez dias sem postar p...ost nenhum?! Sofro a tentação de dizer que é culpa de um virus que liquidou minha máquina, fazendo com que eu perdesse parte do meu passado. Mas não é isso. É vagabundice mesmo. Perdoem-me aqueles raros visitantes que até já devem ter desistido desse b...log.
E também não é por falta de idéia. Meu problema com a escrita é que quase sempre não sei onde e nem quando termino um texto, aí tantas outras vezes nem começo.
Beijão a todos que ainda insistem no verticontes. Vou melhorar.