
Porém, ele acreditava na tese de que mulher de pastor deve tocar órgão como ninguém e insistia que ela deixasse de preconceitos e começasse a praticar, pois quando estivessem casados, ela poderia cumprir seu ministério com toda destreza.
- Mas órgão é diferente... – dizia ela.
- Sem dúvida... Mais sacro. – argumentava ele
- Não sei... Nunca nem cheguei perto de um...
- Que nada, você é muito valorosa! Vai pegar logo...
Ela avermelhava.
Um dia, ele pediu permissão a um professor e ficaram até mais tarde na sala de música.
- Querida, só estamos nós; execute um prelúdio pra mim. Não há o que me enleve mais do que os prelúdios em órgãos...
- Só um prelúdio? Promete?
- Sim!
- Não vai pedir um invocatório e depois um intróito?
- Não querida! Só um prelúdio!
- Poderia ser num Yamaha pelo menos... – resmunga baixinho.
- Ta Yamarrado! – Ele vocifera rindo meio nervoso.
- Que fixação por órgão, amor...
- Não há edificação sem órgão! – já perdendo a calma.
- Sério?
- Sério.
- qual o texto?
- Que texto?
- Que fala isso na Bíblia?
- Não há nenhum específico... É na compreensão geral, entende?
- Nem em Cantadas de Salomão?
- Que?
- Cantares, quer dizer... É uma brincadeira...
- Não. Nem um testículo... Vai tocar ou não?
- Tem partitura?
- Toca de ouvido!
- Ah não!
- Você tem que ser batistona numa hora dessas? - Silencio. – Desculpe.
- Acho que vai tocar. – Diz ela conclusiva.
- Que bom! Vai tocar meu bem?
- Não! Eu disse que já vai tocar o sinal para aula...
Toca o sinal.
Um comentário:
ah... sinfonia inacabada.
joão ali
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