sexta-feira, 23 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
sábado, 17 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
O Tatu Claustrofóbico (da Série, Animais Especiais)
Tadeu odiava o escuro. Mas não era o escuro, eram os lugares apertados e com uma única saída. Ao certo, Tadeu não sabia o que lhe incomodava tanto ao ter que entrar num buraco. Tadeu era claustrofóbico, mas não tinha este diagnóstico.Diziam a ele que acabaria morto por passar tanto tempo fora da toca. Para Tadeu a agonia da morte estava justamente ali dentro. Do psíquico os sintomas passam ao físico e Tadeu começa transpirar dentro da carcaça, as patas ficam trêmulas e o coraçãozinho parece que vai explodir. O medo alimenta o medo e Tadeu sai como uma bala do buraco, o que faz aumentar ainda mais o batimento cardíaco, porém a luz e o ar externos o acalmam.
Devia fazer uma escolha quando os cães dos caçadores estavam por perto: a segurança mórbida do aperto escuro, ou o perigo vivificante da savana aberta. Optava pelo segundo. Isso acabou lhe garantindo um tipo de inteligência estratégica para encarar cães e caçadores. Como possuía uma carapaça óssea, dura e flexível, podia se fechar como se fosse um coco maduro em pequenas moitas, até em meio aos cactos, com as garras para cima. Quando vinha um cachorro, ele o feria no focinho, ponto fraco do inimigo. Sem cão, caçador não é nada – e gatos são muito sublimes para suportar o fedor de um Peba. Assim, despistava-os.
Tadeu era solitário não porque os tatus têm essa fama, mas porque não conseguia conviver nas comunidades subterrâneas. Sonhava um dia encontrar um parceiro com a mesma fobia. Quem sabe uma parceira... Achava na sua ignorância de Tatu-peba, que poderia gerar outros clautrofobicozinhos e, com muito treinamento e aperfeiçoamento de seus estratagemas, outros viriam se juntar ao novo modelo de sobrevivência, sem precisar construir túneis para todo lado e viverem subalternamente subterrâneos.
Seus iguais lhe censuravam: “você não pode fugir da sua natureza! Você foi feito para cavar!”
Tinha que absorver as troças dos outros tatus que em rodinhas ficavam medindo suas garras e competindo quem tirava mais terra em menos tempo. Ao passo que ele examinava as suas unhas cada vez mais atrofiadas por falta de exercícios. O que dava dignidade aos tatus, Tadeu desdenhava.
Tadeu passava horas e horas em meio a uns arbustos, refúgio que ele já se adaptara, quando havia caçador por perto - entenda-se por caçador não exatamente um sujeito bem equipado, botas e espingarda, cara de mau e cães de raça, mas um miserável morto de fome do Cerrado, com facão, pé no chão e vira-latas não menos miseráveis. Ali Tadeu aproveitava para pensar, enquanto deitado de costas, de papo pro ar, olhando o céu. Pensamento de Tatu-peba não vai muito longe, mas Tadeu explorava os seus limites. Pensava o que seriam aquelas coisas brancas, suspensas no ar, que se moviam lentamente mudando de forma a cada piscada de olho e que, por ser míope, a imaginação fluía e o fazia ver, dentro do seu restrito universo, figuras: um teiú; um tatu que vira formiga; uma cabeça de cão; um cateto; uma ave; um tatu de novo... Fica pensando também que passou grande parte da vida sem olhar para o céu. Seus semelhantes entendiam muito de terras e formigas, mas quase nada de pássaros. O seu faro é ótimo e lhe avisa quando deve parar com os pensamentos. Enquanto isso pensa no papo que teve com um Tatu-canastra e porque aquilo lhe ficava martelando. Era meio que proibido para um Tatu-peba a socialização com um Canastra. Para os Pebas o nome já dizia tudo: eram uns canastrões. Dissimulados, se faziam de coitados alegando que sua espécie estava em extinção e, muito embora os Pebas não entendessem muito bem o que isso significava, alguns eram iludidos e sediam suas tocas com muito custo escavadas, para esses tatus gigantes, natos fossadores que arrombavam tais moradias as deixando inabitáveis depois. Sem contar que seus hábitos noturnos fazia piorar sua reputação.
Contudo, para Tadeu, como sua fama entre os Pebas já não era lá essas coisas, trocou umas conversas certo dia com um Tatu-canastra. Aquilo que ficou martelando. O Canastra lhe contou numa noitinha, instante em que os pebas se recolhem, e enquanto degustavam um formigueiro em pânico, que descobriu nos recônditos subterrâneos, coisas indizíveis; sacrilégios.
- Como posso saber se está falando a verdade, se eu não entro por mais de um metro nesses buracos? - Respondeu Tadeu.
- Por baixo não podes, mas por cima vasculhas. – Retrucou o Canastra.
- E aí?
- E aí seu peba, vê se não está cheio de buracos ao entorno do... Do cemitério dos humanos.
- Que barbaridade!
A barbárie era que, segundo o Canastra, os Pebas estariam a comer cadáveres. Embora houvesse mesmo inúmeras tocas no entorno do cemitério, Tadeu não conseguiu provas contundentes, o que também não quis se esforçar para isso. E quando não há provas, há dúvidas. A prova faz cessar as reflexões, a dúvida as fomenta. Por isso, Tadeu passava cada vez mais tempo entre as moitas, pensando, pensando, mesmo quando já não havia mais vira-latas por perto.
Por fim, entre nuvens e cemitérios, passava pela cachola do Tadeu a sua condição de tatu-peba e por que razão tinha aquele medo todo da subterra. Era ele normal e todos os outros anormais desprovidos de medo, o medo que adverte contra absurdos e atrocidades? Por que então não aparece outro tatu, ou tatua, no mundo como ele? – Mundo de tatu é tão somente o seu habitatu, vale dizer.
Tadeu foi ficando cada vez mais isolado e a cada dia perdia mais o contatu com a realidade. Perdendo o medo de cães e caçadores; perdendo a coragem de enfrentar os becos; perdendo o preconceito de se aproximar dos Canastras; perdendo os limites do pensamento... Tadeu se tornou um andarilho, sem garras, de casco queimado, sobrevivendo de restos de cupinzeiros desabitados e raízes secas.
Visto cada vez menos aqui e acolá falando sozinho, algumas vezes gritando e praguejando, xingando de carniceiros a outros Pebas que riam e zombavam dele e os Pebinhas se divertiam jogando-lhe torrões e fazendo um círculo em volta dele até que se desesperasse.
Não possuindo mais dados fidedignos para essa narrativa, este narrador encerra com a última e maldosa informação, de que fora Tadeu adotado por um Tatu-galinha.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Beijo Bandido
Um beijo estava chegando à faculdade quando percebeu uma muvuca e viu que era um amigo que estava sendo preso. Já estava algemado, mas muito aflitos conseguiram trocar umas palavras antes que entrasse no camburão:
- Que aconteceu?
- Não fui eu! Não fui eu!
- Mas o que?!
- A meningite! Não fui eu!
- Calma, vou te arrumar um advogado!
- Alguém da facul pegou meningite e fui acusado!
- A pessoa morreu?
- Como vou saber? Só sei que sou inocente!
- Preciso saber para saber o tipo de advogado que precisa!
- Explica pra eles! Você me conhece! Sabe que eu não faria mal nem se fosse de Judas!
- Não fale mais nada! Quanto mais fala, mais a saliva depõe contra você!
- Que ódio! Me soltem! Senão vou beijar vocês!
Diante dessa ameaça, amordaçaram-lhe:
- Hurrmm! Hurrmmnn!
- Vocês não podem fazer isso! Ele tem o direito de ficar em silêncio, não o dever!
- Hurrmm! Hurrmmnn!
- Tem aqui várias testemunhas! Não podem mantê-lo como um beijo roubado em seus direitos! Vou entrar com uma ação e o Estado é que acabará no tribunal!
Diante dessa ameaça, soltaram os lábios.
- Hurm... Seus truculentos reacionários! Vou beijá-los de língu...aiii!
Diante dessa ameaça, deram-lhe uma porrada.
O amigo consegue chegar mais próximo do beijo que está sangrando e meio desmaiando, mas antes de baterem a porta do carro, ele consegue balbuciar:
- Dig... Diga a ela... Q... Que fiz por amor...
Som de Sirene.
- Que aconteceu?
- Não fui eu! Não fui eu!
- Mas o que?!
- A meningite! Não fui eu!
- Calma, vou te arrumar um advogado!
- Alguém da facul pegou meningite e fui acusado!
- A pessoa morreu?
- Como vou saber? Só sei que sou inocente!
- Preciso saber para saber o tipo de advogado que precisa!
- Explica pra eles! Você me conhece! Sabe que eu não faria mal nem se fosse de Judas!
- Não fale mais nada! Quanto mais fala, mais a saliva depõe contra você!
- Que ódio! Me soltem! Senão vou beijar vocês!
Diante dessa ameaça, amordaçaram-lhe:
- Hurrmm! Hurrmmnn!
- Vocês não podem fazer isso! Ele tem o direito de ficar em silêncio, não o dever!
- Hurrmm! Hurrmmnn!
- Tem aqui várias testemunhas! Não podem mantê-lo como um beijo roubado em seus direitos! Vou entrar com uma ação e o Estado é que acabará no tribunal!
Diante dessa ameaça, soltaram os lábios.
- Hurm... Seus truculentos reacionários! Vou beijá-los de língu...aiii!
Diante dessa ameaça, deram-lhe uma porrada.
O amigo consegue chegar mais próximo do beijo que está sangrando e meio desmaiando, mas antes de baterem a porta do carro, ele consegue balbuciar:
- Dig... Diga a ela... Q... Que fiz por amor...
Som de Sirene.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
ENENEM (2) - Nomes
Com certo atraso, segue o ENENEM (Exame Nacional Evangélico Neófito de Ensino Medíocre) deste semestre:
1. Primeiro sumo sacerdote dos hebreus:
a) Aarão
b) Bbrão
c) Comerão
d) Se-for-beber-não-dirija-estudo-bíblico
2. Segundo filho de Aarão:
a) Abiú
b) Fechoú
c) Rasgoú
d) Nem-abiú-nem-fechoú-só-o-paí-podiá-entrá-no-santo-dos-santos
3. Terceiro filho de Davi:
a) Abboteco
b) Absalão
c) Abnada
d) Abboca-de-mula
4. Neto de Eli:
a) Aitube
b) Youtube
c) Twitter
d) Interneto
5. Décimo-primeiro rei de Judá:
a) Sorterias
b) Azarias
c) Rabudorias
d) Tanto-faz-crente-não-jogarias
6. Um dos que assinaram a aliança, (Neemias 10.17) Pai do falso profeta, Hananias:
a) Brancur
b) Vermelhur
c) Azur
d) Afro-descendentur
7. Parente de Noemi e esposo de Rute:
a) Boaz
b) Gostosaz
c) Enxutaz
d) O-que-vale-é-a-belezaz-interna
8. Pai de Haniel e príncipe de Manassés:
a) Éfode
b) Énamore
c) Éfica
d) Épecado
9. Pai de Berodaque, rei de Babilônia:
a) Festão
b) Bailão
c) Baladão
d) Shabatdão
10. Filho de Sete e neto de Adão:
a) Enos
b) Sal-de-frutas
c) Sal-de-andrews
d) Vomita-que-faz-bens
1. Primeiro sumo sacerdote dos hebreus:
a) Aarão
b) Bbrão
c) Comerão
d) Se-for-beber-não-dirija-estudo-bíblico
2. Segundo filho de Aarão:
a) Abiú
b) Fechoú
c) Rasgoú
d) Nem-abiú-nem-fechoú-só-o-paí-podiá-entrá-no-santo-dos-santos
3. Terceiro filho de Davi:
a) Abboteco
b) Absalão
c) Abnada
d) Abboca-de-mula
4. Neto de Eli:
a) Aitube
b) Youtube
c) Twitter
d) Interneto
5. Décimo-primeiro rei de Judá:
a) Sorterias
b) Azarias
c) Rabudorias
d) Tanto-faz-crente-não-jogarias
6. Um dos que assinaram a aliança, (Neemias 10.17) Pai do falso profeta, Hananias:
a) Brancur
b) Vermelhur
c) Azur
d) Afro-descendentur
7. Parente de Noemi e esposo de Rute:
a) Boaz
b) Gostosaz
c) Enxutaz
d) O-que-vale-é-a-belezaz-interna
8. Pai de Haniel e príncipe de Manassés:
a) Éfode
b) Énamore
c) Éfica
d) Épecado
9. Pai de Berodaque, rei de Babilônia:
a) Festão
b) Bailão
c) Baladão
d) Shabatdão
10. Filho de Sete e neto de Adão:
a) Enos
b) Sal-de-frutas
c) Sal-de-andrews
d) Vomita-que-faz-bens
quarta-feira, 7 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
Sermão de Páscoa
Todos querem a ordem e sabedoria de Paulo,
mas nem todos querem a desordem e ousadia de Jesus.
Todos querem o respeito e liderança de Moisés,
mas nem todos querem a vergonha e simplicidade de Jesus.
Todos buscam o poder de Eliseu,
mas nem todos a fraqueza de Jesus.
Todos almejam a glória de Davi,
mas nem todos o vexame de Jesus.
Todos querem as palavras de Isaias,
mas nem todos a pregação ao pobre de Jesus.
Todos pregam o zelo e temor dos profetas,
mas nem todos a graça e subversão de Jesus.
Todos querem o céu de Elias,
mas nem todos querem o inferno de Jesus.
Todos querem a ressurreição de Jesus,
nem todos a páscoa de Jesus.
mas nem todos querem a desordem e ousadia de Jesus.
Todos querem o respeito e liderança de Moisés,
mas nem todos querem a vergonha e simplicidade de Jesus.
Todos buscam o poder de Eliseu,
mas nem todos a fraqueza de Jesus.
Todos almejam a glória de Davi,
mas nem todos o vexame de Jesus.
Todos querem as palavras de Isaias,
mas nem todos a pregação ao pobre de Jesus.
Todos pregam o zelo e temor dos profetas,
mas nem todos a graça e subversão de Jesus.
Todos querem o céu de Elias,
mas nem todos querem o inferno de Jesus.
Todos querem a ressurreição de Jesus,
nem todos a páscoa de Jesus.
terça-feira, 30 de março de 2010
Web Crentes
Crente Banda Larga: Acha que quanto mais informações por segundo conseguir transmitir, melhor será.
Crente Blog: Vive de comentários, e se magoa se ninguém lhe visita.
Crente Ctrl C Ctrl V: Julga todas as coisas, retém o que é bom e repassa tudo que é ruim.
Crente Download: Quer curar vírus, mas vive baixando espíritos.
Crente Email: Aborda tudo o que é assunto e espalha boatos como ninguém.
Crente Google: Acha que só ele consegue Buscar o Reino de Deus.
Crente Link: É sublinhado, destacado, e com imposição da mãozinha traz muitas revelações.
Crente Orkut: Fala errado pra kcete, mas muitos não ficam sem ele.
Crente Spam: Se intromete sem ser chamado.
Crente Twitter: Paranóico, acha que quanto mais pessoas o perseguirem, mas abençoado será.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Lógica
No que está cheio não cabe mais nada;
de boas intenções o inferno está cheio;
logo, não se preocupe, você não cabe mais no inferno.
de boas intenções o inferno está cheio;
logo, não se preocupe, você não cabe mais no inferno.
sábado, 27 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
Branco no preto?
Comigo as coisas nunca foram preto-no-branco. Por isso este blog é assim, branco-no-preto. Mas ouvi que isso pode dificultar a leitura e resolvi perguntar àqueles que passam por aqui:
É isso mesmo? Acham que o preto-no-branco é melhor para ler?
(Aliás, hoje, com os inspetores do politicamente correto por aí, devemos dizer, comigo é tudo afro-no-branco...)
O branco no preto pode ser uma luz no fim do túnel. Já o preto no branco é um túnel no fim da luz. Pode ser melhor mesmo...
Mas o que ressalta um blog assim, branco no preto, é o ar de rigor. Apesar de eu mesmo não ser nada rigoroso, gosto do ar. O preto é o luto, convincente e real. O branco é a paz, inoperante e inepta.
Por que buscar tanto uma luz no fim do túnel? O túnel, escuro e claustrofoberante é o que nos faz atravessar. A luz pode bem ser a ilusão ou tão somente o final do túnel, a vastidão e o nada. Deixa pra lá.
Só gostaria de saber se seria bom mudar a cara desse blog.
E aí?
É isso mesmo? Acham que o preto-no-branco é melhor para ler?
(Aliás, hoje, com os inspetores do politicamente correto por aí, devemos dizer, comigo é tudo afro-no-branco...)
O branco no preto pode ser uma luz no fim do túnel. Já o preto no branco é um túnel no fim da luz. Pode ser melhor mesmo...
Mas o que ressalta um blog assim, branco no preto, é o ar de rigor. Apesar de eu mesmo não ser nada rigoroso, gosto do ar. O preto é o luto, convincente e real. O branco é a paz, inoperante e inepta.
Por que buscar tanto uma luz no fim do túnel? O túnel, escuro e claustrofoberante é o que nos faz atravessar. A luz pode bem ser a ilusão ou tão somente o final do túnel, a vastidão e o nada. Deixa pra lá.
Só gostaria de saber se seria bom mudar a cara desse blog.
E aí?
terça-feira, 23 de março de 2010
Ca Fé com Lei te (19)
A não ser que haja alguma manifestação em contrário, aí vão as últimas
?ergunte ao ?astor
196. O culto de ação de graças é realizado por palhaços?
197. Extrema unção é aquela ministrada por pastores extremistas?
198. A cadeira do dentista é o lugar de choro e ranger de dentes?
199. A igreja evangélica Quadrangular aceita besta quadrada?
200. Um pastor entediado está de sacro cheio?
201. Sarah creu na monogamia por isso deixou de ser stereo?
202. O gay sofre tanto preconceito no meio evangélico porque nunca será um Homem-de-Deus?
sexta-feira, 19 de março de 2010
O Louva-a-deus Ateu (da série, animais especiais)

Laurindo seria um louva-a-deus comum se não fosse um desvio sutil em sua natureza: era ateu. Não obstante, e bem distante aos seus semelhantes, poderia se passar por mais um da sua espécie.
Laurindo saltava distancias incríveis, camuflava-se, emboscava-se, comia moscas e joaninhas sem neuras. Leia-se, sem agradecer, como faziam seus companheiros de caçada. Além do que, não se sentia culpado, comia indiscriminadamente, moscas e joaninhas jovens e adultas. Isso lhe dava vantagens e fama dentro do enxame. A vantagem é que como não perdia tempo em ficar se perguntando se isso era correto ou não, ele somava feitos incomparáveis. O medo é armadilha desarmada que captura sem prender. Chegou a ser contratado como terceirizado por outros clãs de caçadores, cujos indivíduos não davam conta de abastecer sua própria comunidade das provisões necessárias para a sobrevivência.
Já a fama decorria do fato e do boato que corria de que se tratava de um inseto super-dotado. Alguns mais maldosos diziam que, contrariando a espécie, possuía algum tipo de veneno que o protegia de seus predadores, em especial o vespão. Daí voltar intacto de regiões que outros jamais poriam os pés... Mas Laurindo era apenas um louva-a-deus ateu.
Para não se concluir que louva-a-deus é um bicho ingênuo e não dado às aventuras do pensamento, havia sim, entre os catedráticos, uma tênue desconfiança das mazelas de Laurindo e de seu, digamos, desleixo religioso. Porém, sem provas e com pavor, tudo era guardado e esquecido com muito sigilo.
Um dia, dada esta fama, Laurindo foi convocado para liderar um grupo de trabalho que é o sonho de trabalho de todo louva-a-deus: cuidar de jardim; ou melhor, cuidar para que as pragas não acabem com o jardim, já que o louva-a-deus é um controlador natural.
Laurindo foi, meio contra a vontade, mas foi. Ali conheceu outros guerreiros de valor, contudo, todos se colocavam em submissão a Laurindo e no final do dia gostavam de conversar sobre seus feitos. Ali também que ficou sabendo com alguns doutores, que o formato em triângulo de suas cabeças, aludia à imagem de Deus, razão de suas existências. Todas as manhãs ao olhar no espelho, Laurindo se lembrava disso, achava ridículo, mas não comentava. Pensava: se a cabeça faz lembrar um Deus, o abdômen faz lembrar um Diabo, com sua ganância e peso.
Ali foi também que conheceu Lívia, uma louva-a-deus linda e recatada. Mais camuflada que o mais camuflado dos louva-a-deus. Tanto é que, até mesmo Laurindo custou a descobri-la. Nas ramagens que ficam no último canteiro, no perigoso espaço junto à fonte, ela costumava ficar.
A primeira troca de palavras:
- Oi, meu nome é Laur...
- Eu sei.
Só isso bastou para Laurindo se apaixonar. Bastou para ele construir um sorriso em sua enorme cara triangular. Bastou para ele, pela primeira vez, sentir medo.
Passou o tempo. Sempre com pouquíssimas palavras, Lívia contou muitas coisas para Laurindo e ele contou muitas coisas para ela. Lívia contou que sempre viveu ali, perto das águas e do mundo externo. Laurindo contou do seu enorme vôo e que um dia, se ela quisesse, podiam voar dali...
Acontece que, sem a concentração e o comando de Laurindo, que passava horas e horas desvendando Lívia, o jardim voltou a se degradar pela proliferação das pragas.
Na primeira tarde do outono, Laurindo morreu no ato do acasalamento, com sete meses de idade. Dele só foi encontrado uma das garrinhas da perna e a metade da mandíbula.
Lívia, que o comeu depois do amor, voou com suas próprias asas para a fonte e seu destino final é contado de diversas maneiras pelos louva-a-deus daquele jardim.
Laurindo saltava distancias incríveis, camuflava-se, emboscava-se, comia moscas e joaninhas sem neuras. Leia-se, sem agradecer, como faziam seus companheiros de caçada. Além do que, não se sentia culpado, comia indiscriminadamente, moscas e joaninhas jovens e adultas. Isso lhe dava vantagens e fama dentro do enxame. A vantagem é que como não perdia tempo em ficar se perguntando se isso era correto ou não, ele somava feitos incomparáveis. O medo é armadilha desarmada que captura sem prender. Chegou a ser contratado como terceirizado por outros clãs de caçadores, cujos indivíduos não davam conta de abastecer sua própria comunidade das provisões necessárias para a sobrevivência.
Já a fama decorria do fato e do boato que corria de que se tratava de um inseto super-dotado. Alguns mais maldosos diziam que, contrariando a espécie, possuía algum tipo de veneno que o protegia de seus predadores, em especial o vespão. Daí voltar intacto de regiões que outros jamais poriam os pés... Mas Laurindo era apenas um louva-a-deus ateu.
Para não se concluir que louva-a-deus é um bicho ingênuo e não dado às aventuras do pensamento, havia sim, entre os catedráticos, uma tênue desconfiança das mazelas de Laurindo e de seu, digamos, desleixo religioso. Porém, sem provas e com pavor, tudo era guardado e esquecido com muito sigilo.
Um dia, dada esta fama, Laurindo foi convocado para liderar um grupo de trabalho que é o sonho de trabalho de todo louva-a-deus: cuidar de jardim; ou melhor, cuidar para que as pragas não acabem com o jardim, já que o louva-a-deus é um controlador natural.
Laurindo foi, meio contra a vontade, mas foi. Ali conheceu outros guerreiros de valor, contudo, todos se colocavam em submissão a Laurindo e no final do dia gostavam de conversar sobre seus feitos. Ali também que ficou sabendo com alguns doutores, que o formato em triângulo de suas cabeças, aludia à imagem de Deus, razão de suas existências. Todas as manhãs ao olhar no espelho, Laurindo se lembrava disso, achava ridículo, mas não comentava. Pensava: se a cabeça faz lembrar um Deus, o abdômen faz lembrar um Diabo, com sua ganância e peso.
Ali foi também que conheceu Lívia, uma louva-a-deus linda e recatada. Mais camuflada que o mais camuflado dos louva-a-deus. Tanto é que, até mesmo Laurindo custou a descobri-la. Nas ramagens que ficam no último canteiro, no perigoso espaço junto à fonte, ela costumava ficar.
A primeira troca de palavras:
- Oi, meu nome é Laur...
- Eu sei.
Só isso bastou para Laurindo se apaixonar. Bastou para ele construir um sorriso em sua enorme cara triangular. Bastou para ele, pela primeira vez, sentir medo.
Passou o tempo. Sempre com pouquíssimas palavras, Lívia contou muitas coisas para Laurindo e ele contou muitas coisas para ela. Lívia contou que sempre viveu ali, perto das águas e do mundo externo. Laurindo contou do seu enorme vôo e que um dia, se ela quisesse, podiam voar dali...
Acontece que, sem a concentração e o comando de Laurindo, que passava horas e horas desvendando Lívia, o jardim voltou a se degradar pela proliferação das pragas.
Na primeira tarde do outono, Laurindo morreu no ato do acasalamento, com sete meses de idade. Dele só foi encontrado uma das garrinhas da perna e a metade da mandíbula.
Lívia, que o comeu depois do amor, voou com suas próprias asas para a fonte e seu destino final é contado de diversas maneiras pelos louva-a-deus daquele jardim.
sábado, 13 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
Sabe o que Jesus disse pra tumba?
Sabe o que Golias disse pra Davi?
- Não confunda!
Sabe o que o comandante do exército sírio disse pro profeta Eliseu?
-Não me deixa Naamã.
Sabe o que um ladrão disse pra Jesus na cruz?
- É nóis na fita Emano!
Sabe o que Josué disse pra Moisés?
- Desencanaã.
Sabe o que Abraão disse pra Isaque?
- Tá amarrado!
Sabe o que Lameque disse pra Metusalem?
- Que que há velhinho?!
Sabe o que Paulo disse pro fariseu?
- Ninguém merece!
Sabe o que Maria Madalena disse pra Tomé?
- Pode crê!
Sabe o que Tomé disse pra Maria Madalena?
- Nada a ver!
Sabe o que Pedro disse pra Paulo?
- Não to entendendo...
Sabe o que Sarah disse pra Abraão?
- Fala sério!
Sabe o que José disse pro anjo?
- Não dá uma de Miguel!
Sabe o que Isabel disse pra Maria?
-Nossa!
Sabe o que Jesus disse pra tumba?
- Fui.
- Não confunda!
Sabe o que o comandante do exército sírio disse pro profeta Eliseu?
-Não me deixa Naamã.
Sabe o que um ladrão disse pra Jesus na cruz?
- É nóis na fita Emano!
Sabe o que Josué disse pra Moisés?
- Desencanaã.
Sabe o que Abraão disse pra Isaque?
- Tá amarrado!
Sabe o que Lameque disse pra Metusalem?
- Que que há velhinho?!
Sabe o que Paulo disse pro fariseu?
- Ninguém merece!
Sabe o que Maria Madalena disse pra Tomé?
- Pode crê!
Sabe o que Tomé disse pra Maria Madalena?
- Nada a ver!
Sabe o que Pedro disse pra Paulo?
- Não to entendendo...
Sabe o que Sarah disse pra Abraão?
- Fala sério!
Sabe o que José disse pro anjo?
- Não dá uma de Miguel!
Sabe o que Isabel disse pra Maria?
-Nossa!
Sabe o que Jesus disse pra tumba?
- Fui.
segunda-feira, 8 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
Ca Fé com Lei te - ditados (3)
Um judeu engraçadinho disse ironicamente a Moisés quando esse, após quarenta anos no deserto, não conseguiu entrar na terra prometida.
“Quem não chora não mama”
Uma das donzelas da filha do faraó ao encontrar Moisés berrando no cesto.
“Onde há fumaça há fogo”
A rainha Jesabel quando viu a fumaça no monte Carmelo e um baita cheiro de churrasco de profeta.
"Ou vai ou racha!”
Moisés irritado quando quebrou a pedra para conseguir água.
“Ninguém é de ferro”
Salomão, ao discursar para as suas mais de mil mulheres pedindo uma noite de folga.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Dia Mundial da Oração
PreceJá fez a sua prece hoje?
Não?
Então se apresse,
se a vida
é o que apreces
em alto valor.
A prece é o ato louco
de falar sozinho
enquanto pereces
tentando viver.
Pegue seu terço,
entre no quarto,
o Deus vem primeiro,
você em segundo.
A prece é o ato louco
de falar sozinho
com quem não mereces.
Já fez a sua prece hoje?
Não?
Então desce de si,
dê-se de si,
erga uma prece,
a pauta é o mundo,
o tema é o outro,
não só o que careces...
A prece é o ato louco
de se achar um deusinho
filho de Deus
que crê que na prece
um Deus lhe aparece.
quinta-feira, 4 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
Sentido

Aos poucos se vai abaixando
a angústia do caçador que,
em busca cega no bosque,
sente a fera lhe abandonando.
Seu tempo é feito de noites
de espreita e de sã covardia,
teme que se aproxima o dia
e com ele sobreviva morto.
Um homem que vive da espera,
gastando a sola pisando torto,
se equilibra na esfola do próprio corpo.
Não adianta se matar para ter uma vida,
nem correr para ter a veia desentupida;
a presa do sentido prende e dilacera.
a angústia do caçador que,
em busca cega no bosque,
sente a fera lhe abandonando.
Seu tempo é feito de noites
de espreita e de sã covardia,
teme que se aproxima o dia
e com ele sobreviva morto.
Um homem que vive da espera,
gastando a sola pisando torto,
se equilibra na esfola do próprio corpo.
Não adianta se matar para ter uma vida,
nem correr para ter a veia desentupida;
a presa do sentido prende e dilacera.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Sinalização Vertical
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Crente Objeto de Escritório
1. Crente cola Pritt: bonitinho, mas desapega fácil.
2. Crente elástico: maleável, mas quando exigido estoura.
3. Crente corretivo: esconde erros, mas não consegue disfarçar.
4. Crente mouse: só trabalha com imposição de mãos e empurrãozinho.
5. Crente clips: se prende a relatórios.
6. Crente caixa de arquivo: burocrático, mas necessário.
7. Crente lápis: está sempre desapontado.
8. Crente monitor: quadradinho, mas quando trabalha chama atenção.
9. Crente porta-lapis: útil, mas no fundo é sempre sujo.
10. Crente grampeador: nunca tem nenhum por perto quando você precisa.
2. Crente elástico: maleável, mas quando exigido estoura.
3. Crente corretivo: esconde erros, mas não consegue disfarçar.
4. Crente mouse: só trabalha com imposição de mãos e empurrãozinho.
5. Crente clips: se prende a relatórios.
6. Crente caixa de arquivo: burocrático, mas necessário.
7. Crente lápis: está sempre desapontado.
8. Crente monitor: quadradinho, mas quando trabalha chama atenção.
9. Crente porta-lapis: útil, mas no fundo é sempre sujo.
10. Crente grampeador: nunca tem nenhum por perto quando você precisa.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Zela Dor
Hoje é o dia internacional do enfermo. Não esqueça de parabenizar um enfermo que você conheça.
Também é o dia do zelador.
Será que quem instituiu esses dias fez a relação entre os dois? Pois quem zela dor é um enfermo.
-
Estado Terminal
Minha hérnia de disco
só toca música fúnebre.
Minha ponte-de-safena
desaba em rio lúgubre.
Minha diverticulite
não me diverte mais;
nos meus cálculos renais
é esclerose múltipla
que me conta gotas...
Meu bico-de-papagaio
comigo já não tagarela.
Minha febre amarela
pinta uma alma pálida.
Mataram o minotauro
da minha labirintite!
Meu ataque cardíaco
há muito não marca um gol.
Minha rosácea murchou,
minhas cataratas secaram,
meu intestino preguiçoso...
Enfim se aposentou.
Espero nesse terminal,
ônibus que me tire desse estado.
Também é o dia do zelador.
Será que quem instituiu esses dias fez a relação entre os dois? Pois quem zela dor é um enfermo.
-
Estado Terminal
Minha hérnia de disco
só toca música fúnebre.
Minha ponte-de-safena
desaba em rio lúgubre.
Minha diverticulite
não me diverte mais;
nos meus cálculos renais
é esclerose múltipla
que me conta gotas...
Meu bico-de-papagaio
comigo já não tagarela.
Minha febre amarela
pinta uma alma pálida.
Mataram o minotauro
da minha labirintite!
Meu ataque cardíaco
há muito não marca um gol.
Minha rosácea murchou,
minhas cataratas secaram,
meu intestino preguiçoso...
Enfim se aposentou.
Espero nesse terminal,
ônibus que me tire desse estado.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Ca Fé com Lei te (18)
?ergunte ao ?astor
186. Quem reza para o crucifixo e não é atendido, pode tentar no crucicell?
187. “Igreja presente” é a igreja dentro duma caixinha amarrada com um lindo laço vermelho?
188. Os penúltimos serão os segundos?
189. A guarda Pretoriana era formada apenas por soldados afro-descendentes?
190. Se os dias serão abreviados, segundo o Apocalipse, passaremos a escrever apenas “d.”?
191. Por quanto sai uma porção da palavra no Bar Mitzvah?
192. Que dirigente do Palmeiras contratou o filho pródigo para trabalhar em seus campos de porcos?
193. O verdadeiro culto de celebração é oferecido apenas por celebridades?
194. Se no principio era o verbo, o correto não seria: “ERA o verbo no princípio”?
195. Na cabeça do galo é o lugar em que se pode achar um cristão?
187. “Igreja presente” é a igreja dentro duma caixinha amarrada com um lindo laço vermelho?
188. Os penúltimos serão os segundos?
189. A guarda Pretoriana era formada apenas por soldados afro-descendentes?
190. Se os dias serão abreviados, segundo o Apocalipse, passaremos a escrever apenas “d.”?
191. Por quanto sai uma porção da palavra no Bar Mitzvah?
192. Que dirigente do Palmeiras contratou o filho pródigo para trabalhar em seus campos de porcos?
193. O verdadeiro culto de celebração é oferecido apenas por celebridades?
194. Se no principio era o verbo, o correto não seria: “ERA o verbo no princípio”?
195. Na cabeça do galo é o lugar em que se pode achar um cristão?
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Irada Terra Arretada Ri
Irada terra arretada ri: além de palíndromo, é o que me ocorre. A terra ri. Quando gargalha então, mexe com o planeta. Terremoto... Parece sádico?
Ri das teorias e explicações que dão às suas manifestações. Ri da inocência do homem que a considera amiga, aliada. A terra já não é – ou jamais foi – tão parceira assim da humanidade. Ri quando lhe fazem cócegas com foguetinhos aqui e ali. Quando lhe depilam as matas. Dá gargalhada com a lipoaspiração que faz jorrar seu sangue negro e depois, perde o fôlego de ver o mórbido tom pastel da mistura com o sangue humano brigando por aquele.
Irada a terra ri das contradições humanas e se pergunta:
Por que o ser humano só se mexe quando eu me mexo?
Mexo-me porque estou me acomodando, enquanto eles só se mexem quando são incomodados.
Reclamam das catástrofes, mas ajudam muito mais as instituições financeiras que seus iguais.
Reclamam dos paredões que esmagam crianças, mas ajudam mais em ligações aos paredões do BBB.
Reclamam do caos que provoco, mas vibram e vendem com as imagens que capturam.
Lastimam os escombros do mercado por cima de gente, mas suas leis de mercado oprimem, sufocam e aprisionam muita gente.
Rezam aos deuses e citam o apocalipse, mas não lutam o cada um por si e Deus por todos, e sim o cada deus por si e nenhum por todos.
Por isso tento ficar quietinho por aqui. Não tento agradar a terra nem a natureza. São inagradáveis. Suas investidas são indiscriminadamente severas. Se o sol nasce para todos, as enchentes também inundam todos, as erosões são por sobre todos, os furacões assopram sobre todos... Só abraçar árvore, rolar na lama, catar latinha na praia, pagar o mico-leão-dourado, não vai nos tornar amiguinhos da natureza. Nem a própria moderna eco-religião nos trará a paz com a deusa. Que ri.
Cem Reais. Cem Reais foi toda minha ajuda aos flagelados do Haiti - diz a religião cristã que não se deve proclamar uma boa ação, mas quando a boa ação parece uma gozação, acho que tudo bem. Talvez nem chegue até lá mesmo. É como se fosse um espermatozoidizinho aleijado e cego tentando chegar ao óvulo.
A hipocrisia e a covardia estão em mim como musgo em pedra de jardim. Vivem do sol e da água que reclamo para mim.
A Terra ri.
E nós choramos, por enquanto.
Ri das teorias e explicações que dão às suas manifestações. Ri da inocência do homem que a considera amiga, aliada. A terra já não é – ou jamais foi – tão parceira assim da humanidade. Ri quando lhe fazem cócegas com foguetinhos aqui e ali. Quando lhe depilam as matas. Dá gargalhada com a lipoaspiração que faz jorrar seu sangue negro e depois, perde o fôlego de ver o mórbido tom pastel da mistura com o sangue humano brigando por aquele.
Irada a terra ri das contradições humanas e se pergunta:
Por que o ser humano só se mexe quando eu me mexo?
Mexo-me porque estou me acomodando, enquanto eles só se mexem quando são incomodados.
Reclamam das catástrofes, mas ajudam muito mais as instituições financeiras que seus iguais.
Reclamam dos paredões que esmagam crianças, mas ajudam mais em ligações aos paredões do BBB.
Reclamam do caos que provoco, mas vibram e vendem com as imagens que capturam.
Lastimam os escombros do mercado por cima de gente, mas suas leis de mercado oprimem, sufocam e aprisionam muita gente.
Rezam aos deuses e citam o apocalipse, mas não lutam o cada um por si e Deus por todos, e sim o cada deus por si e nenhum por todos.
Por isso tento ficar quietinho por aqui. Não tento agradar a terra nem a natureza. São inagradáveis. Suas investidas são indiscriminadamente severas. Se o sol nasce para todos, as enchentes também inundam todos, as erosões são por sobre todos, os furacões assopram sobre todos... Só abraçar árvore, rolar na lama, catar latinha na praia, pagar o mico-leão-dourado, não vai nos tornar amiguinhos da natureza. Nem a própria moderna eco-religião nos trará a paz com a deusa. Que ri.
Cem Reais. Cem Reais foi toda minha ajuda aos flagelados do Haiti - diz a religião cristã que não se deve proclamar uma boa ação, mas quando a boa ação parece uma gozação, acho que tudo bem. Talvez nem chegue até lá mesmo. É como se fosse um espermatozoidizinho aleijado e cego tentando chegar ao óvulo.
A hipocrisia e a covardia estão em mim como musgo em pedra de jardim. Vivem do sol e da água que reclamo para mim.
A Terra ri.
E nós choramos, por enquanto.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Pô ética (5)
Vivem da carniça das desgraças,
os abutres que abusam de imagens
e agem nobres em suas carcaças.
os abutres que abusam de imagens
e agem nobres em suas carcaças.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Pô ética (4)
Ao vento que atrapalha os garis
de juntar da sociedade os restos,
aliam-se mídias e merdas dos Boris.
de juntar da sociedade os restos,
aliam-se mídias e merdas dos Boris.
domingo, 10 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Ca Fé com Lei te (17)
?ergunte ao ?astor
176. Um protestante tem papas na língua?
177. Qual a capital do estado de espírito?
178. O cristão antes da igreja era o pré-sal da terra?
179. Como posso ser mais que vencedores se nem gravei disco nenhum?
180. Se koinonia é a comunhão dos remidos, podemos dizer que kornonia é a comunhão dos traídos?
181. Se Barnabé era filho da consolação, Paulo era filho da paulista?
182. Que confusão fazem os que seguem o Confucionismo?
183. Ao contrário do Seicho-No-Iê, o Seicho-Yes-Iê é uma religião mais liberal?
184. Fazer apologética é defender Apolo?
185. Quem reza no terço não reza no quarto?
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Pô ética (3)
Habeas Corpus ao médico abusador
que de mulheres abre os corpos...
E fecha-se os olhos, e abra-se a dor.
que de mulheres abre os corpos...
E fecha-se os olhos, e abra-se a dor.
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