terça-feira, 3 de outubro de 2006

poema politicamente incorreto

Parafraseando M L King:
O que me assusta não é o escândalo dos políticos
mas o silêncio dos crentes.
A igreja por vezes se torna um lugar tão espiritual que não há lugar para crítica, denuncia, uma oraçãozinha sequer pedindo justiça... Que dirá um grito tipo "raça de víboras!". Em que páramos anda nosso carater profético da denuncia contundente? E pensar que estamos, isto sim, orando agradecendo a Deus pela liberdade que temos de culto. Ah, vidinha evangelical medíocre! Vamos continuar tendo muita liberdade enquanto não encomodarmos ninguém.

Bem, mas não é isso que queria trazer. Um dia o farei com mais precisão.
Estou pensando em um Poema que abordasse tal realidade, e a colher assinaturas (e grana também) para que publicássemos num jornal expressando como se incomodam, pelo menos esses que assinaram em baixo.

Vou me debruçar nisso.

enquanto isso vai aí uma poesia antiga.
beijos.
Wilson Tonioli

-o-

SE NÃO FOSSE O HÍFEN


Se não fosse o hífen,
guarda-chuva seria o fim dos alagamentos.
Um lugar que de tão grande, guarda chuva,
do que sobrasse de rios e lagoas,
e não só, substantivo comum nas garoas.

Se não fosse o hífen,
contra-ataque seria um estado de paz.
Um modo de ser de gente contra ataque,
de gente que luta para que se não lute,
e não a reação de responder o chute.

Se não fosse o hífen,
menino-de-rua seria só uma criança.
Alguém orgulhoso de ser de rua,
da cidade, de país, de lar...
E não o ser nu a desfilar.

Se não fosse o hífen,
palavra-chave seria só um ditado com “ch”...
E com mais uma ave, que não voa, a palavra chave.
Como todas, que sem se mover, são mortas,
e não segredo para se abrir caminhos e portas.

Se não fosse o hífen,
ponto-de-vista seria um lugar concorrido,
onde pessoas se juntam num bom ponto de vista,
para ver vales e ocasos...
E não a intransigência criando casos.

Se não fosse o hífen...
Cara-de-pau seria arte.
Carranca tirada do pau bruto, cara de pau.
Face que lá está e não se vê. Mágica...
E não a cara descarada. Cínica.


Um comentário:

AnJaka disse...

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