sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Estado Terminal

Minha hérnia de disco
só toca música fúnebre.
Minha ponte-de-safena
desaba em rio lúgubre.
Minha diverticulite
não me diverte mais;
nos meus cálculos renais
é esclerose múltipla
que me conta gotas...
Meu bico-de-papagaio
comigo já não tagarela.
Minha febre amarela
pinta uma alma pálida.
Mataram o minotauro
da minha labirintite!
Meu ataque cardíaco
há muito não marca um gol.
Minha rosácea murchou,
minhas cataratas secaram,
meu intestino preguiçoso...
Enfim se aposentou.

Espero nesse terminal,
ônibus que me tire desse estado.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

I Fórum Nacional de Cristianismo Criativo

Adorei ter participado ontem do Fórum Cristianismo Criativo . Pena que foi bem curto o tempo para o debate. Quando parecia que começaria esquentar, acabou. Falei um pouquinho da minha experiência com esse teatro amador e deixei de lado as questões filosóficas; aliás não sei nem onde foi parar as três páginas que escrevi sobre o porque não dá certo teatro na igreja... Mas escrevi lá também uma esperançazinha de possibilidade, e que não foi possível falar, pois tomaria um tempo maior, uma vez que teria que atravessar um campo árido da teologia.
Ainda bem que o Carlos Eduardo preencheu dando um pouco mais de conteúdo a assunto tão abrangente.
Enfim, valeu muito pela iniciativa. Agradeço ao Whaner que me convidou, por indicação do Pavarini, meu novo companheiro que, como eu, gosta de "pimenta".
Na correria, esqueci-me de apresentar pessoas que me ajudaram ali numa pequena intervenção de cena que foram: Luciana lira, no papel de Arte e Luciana do Vale, no papel de Religião, Ambas do nosso grupo de teatro lá do Raízes; e no esquete final que fizemos, eu (Pedro) e meu filho Filipe (André).

Confiram as fotos e mais informações sobre o Fórum:
http://www.w4editora.com.br/2007/10/i_forum_nacional_de_cristianis.html#more

Minha Casa




quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Pedi a Judas

Pedi a Judas,
aquele, o Iscariotes,
que me contasse,
diante dos holofotes
como passava os dias
e, se não se importasse,
a sua versão sem cortes
das suas dores e agonias...
Indaguei, se o suportasse,
como é a falta do ar,
como é o beijo em Deus...
Beijar o amor na face
e morrer de atrevimento.

Pedi a Judas
que me ajudasse
no estrangulamento
do meu Judas;
no nó em nós,
na força da forca
que acaricia o pescoço
quando tudo é sufoco...
Corda que desacorda.

Pedi ajuda.
Pedi a Judas,
aquele, o Iscariotes
que tem isca no nome,
que atrai o amigo,
como é que se some
com as rimas da morte.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Pentecostal


segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Igreja Calvinista




domingo, 4 de novembro de 2007

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Across The Universe... Nada mudaria meu mundo

Esse aí do vídeo é meu filho Filipe. Fanático por cinema e Beatles. Imaginem o que acontece quando alguém junta esses dois ingredientes num mesmo bolo... Foi o que aconteceu com Across The Universe, um dos filmes da 31ª Mostra Internacional de Cinema. Para se ter uma idéia, enquanto muitos não conseguiram ingresso para nenhuma das exibições, o Filipe assistiu duas vezes.
O filme é muito bonito mesmo. Romântico e com boa dose de melancolia. Verdade que o óbvio está bem presente nesse musical, mas presente também um perdão óbvio em nome da força das imagens e dessas canções insuperáveis.
A música que dá nome ao filme traz o refrão: nada vai mudar meu mundo... É paradoxal dizer, mas espero que esse mesmo veredicto, dê forças a meu filho de lutar pelas coisas boas e belas da vida, e não perder a fé num mundo vindouro que ele mesmo ajudará trazer.

http://br.youtube.com/watch?v=Uy8f_bRZDIQ

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Tropa de Elite


sábado, 27 de outubro de 2007

Muita Areia pro Meu Blog


Natália Guimarães – madrinha 2007 da campanha “Charme das Estrelas”.


Mudei o titulo deste post que seria "Charme das Estrelas" para esse que está aí, pois não conseguia fazer o upload dessa imagem e no final dava "pau". Parecia que estava bastante pesada... Como não consegui carregar de uma vez, fiz várias viagens.


Seguinte: participei no último dia 22 do evento promovido pela Campanha “Charme das Estrelas”, que é fruto da parceria entre a Morana Acessórios e a Fundação Ação Criança(http://www.acaocrianca.org.br/). O convite que recebemos é por conta da parceria que há de nossa Creche C.E.I. Pari – Projeto Raízes (http://www.projetoraizes.org.br/), com a Fundação Ação Criança.A festa, que acontece todos os anos, visa divulgar as peças exclusivas desenvolvidas pela Morana para o projeto beneficente e assinadas por celebridades. O brinco dessa edição vai ter parte da venda revertida para a Fundação Ação Criança durante um ano inteiro.

Então você chega em meio a um ti-ti-ti, com a imprensa descarregando suas metralhadoras de fotos pra todo lado – até eu fui atingido várias vezes... Só fico me perguntando, em que lixo serei descartado pelo auxiliar do fotógrafo, quando após a revelação, olhar pra minha cara com ar de “quem é esse cara?”, e confirmar com seu chefe que não se trata de ninguém.
Lá dentro – este ano foi no Espaço Traffô – separados dos convidados em um espaço com divisórias de vidro, estão as “celebridades” – não estou certo do significa exatamente esse termo, então o coloco entre aspas para estudá-lo melhor – “celebridades” como: Paulo Zulu (um cara bem simpático), Carlos Casagrande, Rodrigo Veroneze, Babi Xavier, Preta Gil, Isabel Fillardis, Sergio Abreu, Alemão... Estão lá para tornarem o evento mais atraente e divulgarem seu apoio à campanha, que acredito, o fazem de forma voluntária.

Mas é muito estranho, você ficar olhando pessoas atrás do vidro como fossem... Peixes; ornamentais claro, embora estivessem uns fazendo a unha, outros a sobrancelha, massagens, maquiagem, etc. Eu, como não conheço essas “celebridades”, – só reconheci o Zulu e o Alemão - muito menos minha esposa que me acompanhava, perguntava a um(a) e a outro(a), quem era quem ali naquele emaranhado de câmeras, fios, flashes. Desisti de ficar adivinhando quando, ao acompanhar uma pessoa ali dentro do aquário eu fiquei me dizendo: “esta eu conheço de algum lugar...”, até que ela pegou no secador de cabelos e continuou seu trabalho numa “célebre cabeleira”: era só mais um cabeleireiro.
Aí vem o leilão das peças, que são apresentadas em um desfile com as “ “. (interessante, me dei conta agora que as próprias aspas se parecem com bonitos cílios das celebridades). Conduzido pelo enorme Luciano Faccioli, - que todos temiam que pisasse em uma “ “ - o leilão arrecada fundos para a Fundação. Que as crianças aproveitem bem essa grana. O brinco com a miss foi arrematado por R$1200,00. Acreditem, o lance inicial foi meu, R$300,00.
Valeu mesmo foi conhecer, tirando fina de mim na passarela, a miss Brasil 2007 Natália Guimarães (foto). Quem é desenhista como eu, supõe que ela seja só um desenho, onde você franzi a testa e as sobrancelhas, mirando bem os olhos tentando descobrir onde está o truque daquela imagem...

Ano que vem tem mais.


Deus salve as estrelas, mesmo as que já se extinguiram e que nossos olhos ainda nos iludem.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Cristianismos... Qual é o teu?










































sábado, 20 de outubro de 2007

Como Enterrar Um Talento


Pegue um filho, teu de preferência.
E logo no primeiro momento,
coloque na cabeça dele
que não deve enterrar seu talento...

Que há um Deus que tudo vê,
justo, e em tudo está atento;
não está aí pra brincadeira
e que vai cobrar o seu talento.

Matricule-o na escola bíblica,
de professores tipo monumento,
de placas, poses e bustos,
que lhe ensinarão o que é talento.

Cuidado na hora de regar:
Bíblia não rima com pensamento,
deve rimar com a santa homilia,
de que não deve enterrar seu talento.

Não hesite de fazer umas podas,
a evitar um livre crescimento;
lugar de dons é na igreja,
onde não deve enterrar seu talento.

Se vierem as pragas das dúvidas,
aplique demãos de ungüento;
agrotóxico necessário
para não enterrar seu talento.

Feche as portas e janelas.
Não o deixe exposto ao Vento...
Nem perto de outras mudinhas,
que só fazem enterrar seus talentos.

Buscar a igreja em primeiro lugar,
quando a seca lhe tirar o alento,
quando a sega lhe tornar mais um
dos enxertos do jardim dos talentos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O início e o quase-fim

Conheça um pouco a Associação Projeto Raízes:
O Integrarte, na Pompeia-SP (atendimento diário de aproximadamente 120 pessoas em situação de rua)
E a Creche no Pari, com 185 crianças.
Bom, não preciso dizer qual é um e qual é o outro nessas fotos.

O comecinho e o finzinho da jornada. O Reino de Deus nos dá alento a lidar com ambos os momentos.





terça-feira, 16 de outubro de 2007






domingo, 14 de outubro de 2007

EDIFÍCIOS

É difícil compreender, mas engraçado pensar: no que se transforma um edifício que um dia foi uma igreja evangélica. Sei que os evangélicos não gostam destas terminologias, mas vou falar: parece que há uma energia excedente que continua no prédio mesmo após a saída da igreja, que, por assim dizer, força uma cumplicidade na futura atividade que ali se instalará.
Vejamos se com exemplos serei mais feliz em explicar tal fenômeno.

Onde era uma igreja evangélica, hoje “funciona” um Varejão de frutas. Pensei: A comunidade deu tantos frutos que agora no lugar dos apelos do pastor tentando vender um evangelho suculento, há muitas bancadas de frutas já quase passadas se submetendo aos apertões de senhoras exigentes, não querendo ter um desarranjo intestinal em troca de baixo preço.

Onde era uma igreja evangélica, agora é um Instituto de idiomas. Aí penso: A igreja falou tantas línguas – não estou me referindo ao Carisma, mas à confusão de mensagens e interpretações, como em Babel – que agora, no lugar dos diversos caminhos e soluções apontados pela comunidade, há um único caminho apontado para o sucesso que é aprender uma another língua e cair fora desse país.

Onde havia uma igreja evangélica, hoje funciona uma serralheria. Penso: a igreja criou tantas legislações, que hoje, ao invés de um conselho ditando normas e aprisionando os espíritos, há um homem de máscara e revolver de solda na mão, construindo grades e portões de lanças.

Onde havia uma igreja evangélica, hoje há uma farmácia. Penso: de tanto a igreja prescrever fórmulas de cura, agora, onde havia um ancião ministrando soluções, há um farmacêutico manipulando remédios para todos os males.

Onde Havia uma igrejinha evangélica, abriram uma lojinha de R$1,99. Penso: alguns crentes confundiram tanto o que é de Graça com o que é banal, que hoje há comerciantes ali vendendo tudo o que é quinquilharias quase de graça, dando a ilusão ao cliente de que saem fazendo sempre bom negócio.

Onde operava uma igreja evangélica, hoje é um Banco: bem, acho que não é preciso dizer o que pensei...

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Prego Rego Ego

Apóstolo após tolo...

Assembléia leia eia!

Ateu teu eu.

Celebrando brando ando.

Compromisso compro omisso isso...

Comunhão com munhão hão!

Conversão versão ver são.

Crente rente ente.

Gratos ratos atos

Igreja reja já.

Imagem age em...

Inspiração pira ação!

Liturgia urgia ia.

Mártires tires rés.

Oração ração ação!

Pastora tora ora.

Pentecostal costal os tal...

Predestinada destinada nada...

Pregador regador dor.

Prego rego ego...

Protestante testa ante.

Recompensa compensa pensa...

Reclame clame ame.

Revelação elação lação.

Talento alento lento.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Para Patrícia (1969-2007)


Sentada num banco



Recostada à parede,
sentada num banco,
assim eu a vi
na última vez que a vi.
Olhando pro longe,
um horizonte, por certo
não era o meu,
nem era o teu,
talvez o dela e só o dela.

Nem estava tão longe,
nem tão recostada;
não estava olhando
e nem era horizonte
o horizonte que via,
talvez era o meu
que ela iludia.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A faxina do teatro

Vou retomar os posts, eu prometo (principalmente pra mim mesmo).

O teatro tem "acabado" comigo. Tenho mexido tanto com o corpo que não há idéia que pare no lugar. Estava precisando mesmo de uma limpeza essa minha cabeça. Estava guardando idéias que jamais usaria... Só ocupando lugar. A prateleira dos dogmas, como é metálica e bem carregada, é a que dá mais trabalho, mas também já está quase limpa.
Quando alguém vai inventar um encéfalo-scanner: você coloca a testa, sei lá, no aparelho, seleciona a ideia e ela é diretamente digitalizada, e melhor, organizada.

Opa, umas pastas acabaram de cair... Vou ali já volto.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

terça-feira, 11 de setembro de 2007

BÉLICOS VERSÍCULOS


Uma verdadeira guerra de versículos: o que acontecia naquelas assembléias. Talvez o que também acontecesse na vida cotidiana daqueles crentes; no jeito de se relacionarem com as pessoas, com a Bíblia na ponta da língua, em riste.
Logo de cara, o dirigente naquele dia, solta um Romanos 13.1. Caia em quem cair - pensava - Se atingir a todos, melhor. Camuflado em autoridade, ganharia respeito. À volta de si, precaveu-se em plantar minas terrestres de Provérbios descontextualizados e mesmo de fragmentos de Salmos, que se não matam, quase sempre aleijam o crente.
- Vamos à pauta - diz mais tímido o secretário, pensando consigo que o que valia mesmo ali, era a primeira sílaba dessa palavra.
Eram de todas as sortes os assuntos para aquele dia. Não terminaria cedo mais uma vez, mas todos estavam preparados... como quando numa dessas batalhas bíblicas; só que com o agravante de poder consultar à vontade a Bíblia.
Moisés pede a palavra e dispara um Provérbios 28.13.
- Romanos 1.18 - emenda o irmão Alceu com sua ira santa.
Dona Mércia entra no conflito, defendendo tal acusado com um belo Tiago 2.17 e um Deuteronômio 15.11; que por sinal já deixa muitos feridos e intimidados.
O presbítero Mauro dispara um tremendo Apocalipse 3.16 para os não espirituais.
Nesse ponto já se começa perder o controle porque o irmão Nestor lança granadas de I Timóteo 3.4 - olhando para certo diácono - I Timóteo 3.7, I João 2.6, Êxodo 20.17...
Muito embora o campo já estivesse minado também por alguns aliados do pastor, com alguns I Pedro 2.1, Tiago 1.22, Dona Sônia mira bem nos olhos do pastor e atira um Daniel 5.27, seguido de um I João 2.15. Este tenta se esquivar defendendo-se com uma bateria de I Coríntios 14.40, Filipenses 2.3, mas sente que está sem retaguarda e recua.
Pedindo uma trégua, o diácono Orlando acena com um Romanos 5.1 e ao mesmo tempo ataca com um Romanos 14.22 aos menos progressistas. Mas cai na sua cabeça um enorme I Coríntios 6.12, por não se sabe exatamente quem, pois se encontrava em meio a um bombardeio de versos incendiários como napalm.
O irmão Dráusio, não se conformando por não pensarem como ele, programa um Romanos 12.2 para estourar bem na hora que o assunto dos jovens fosse abordado; bomba-relógio que só os piedosos calculistas sabem manejar sem que exploda em suas próprias mãos. De fato, quando o coitado do líder da mocidade foi soltar seu misselzinho, caiu-lhe Êxodo 20.12, Eclesiastes 11.9 entre outros.
No entanto, a pianista do quarteto, em defesa do agonizante jovem, não se deixa abater e rebate com um temível Malaquias 3.10. Por algum brevíssimo instante houve silêncio, e sons de rescaldo pós-confronto, do tipo cadeiras se arrastando, tosses e cochichos de quem se retirava da fatídica reunião. Ou para manter a diplomacia, ou para não se estreparem também.
Ainda o dirigente tentava recompor a pauta, mas já estava sem munição bíblica. Além do mais, outros haveria ali com arsenal maior que o dele. Verdadeiros biblióides ambulantes, inclementes e destemidos. Eram Êxodo 20. 5b, Salmos 1.1, Salmos 127.1, Efésios 4,29 prá todos os lados.
Apenas o secretário continuava tímido e quieto. Com a cabeça baixa, escrevendo sua ata, tinha o álibi para ficar sem dar-atacar opiniões. Porém, corria entre bocas pequenas, que ficara assim esquipático e abatido, após ter sido atingido em cheio por um implacável Efésios 5.18 há alguns anos. Com a cabeça mergulhada no livro, como quem se esconde na paliçada das balas zunindo - balas perdidas, balas salvas - por sobre a cabeça, ele timidamente pede a palavra com a caneta acima da cabeça, como uma bandeirinha branca e diz, em gesticulações desconexas e nervosas com a mesma caneta – talvez seqüelas - que seria prudente encaminhar a reunião para o encerramento, pois já estava no momento do culto. De certo, há instantes atrás a organista já havia pedido permissão ao pastor para o prelúdio, que agora já se ouvia.

domingo, 2 de setembro de 2007

Doa-se Alma

Bom, depois daquela da "Igreja fecha e vende tudo" segue essa aí, que também não é um 'anuncio' tão novo assim.



Doa-se alma:
mansa e adestrável,
boa e sensível,
com registro do Ibalma.
Não sobe na cama;
gosta de crianças,
indócil com adultos.
Não gosta de tumultos;
ataca ao menor insulto.
Possui algumas manchas,
também umas esperanças.
Atende a comandos:
junto! Pega! Morta!
Entregamos lavada,
vermifugada e vacinada.
Não é da raça penada,
mas guarda território,
mesquinha e medíocre.
Porém, se apega ao dono...
Dá a vida pelo dono.

Os corpos interessados,
tratar com proprietário.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Igreja Fecha e Vende Tudo

Igreja anuncia que vai fechar e coloca tudo à venda. Embora leve em seu nome a palavra “graça”, lembra que cobrará pelo material, para o caso de algum leigo entrar atraído pelo título na fachada e depois, quando for cobrado, não denunciar a instituição mesmo que já falida.
A liderança da tal igreja lembra também que não há um preço fixo; apenas um mínimo estipulado. A melhor oferta leva.
Dentre os materiais estão:

1-Um púlpito em madeira maciça, com versículo bíblico esculpido em baixo relevo – ou baixa relevância, depende do ponto de vista – com algumas rachaduras de cima abaixo, provocados pelos golpes frenéticos dos pregadores, como que querendo rachar mesmo com o texto bíblico.

2-Dois gazofilácios em compensado – assim como os cheques – revestidos com folhas em mogno em perfeito estado. Há muito que já não vinham sendo usado, pelo menos depois do surgimento das transações on-line. Possui um fundo falso onde eram guardados os valores maiores, para o caso de outros ladrões vindos de fora surpreenderem quando do ato de culto.

3-Bancos em embuia (uns 150); todos bem usados, com manchas de queimados em vários pontos (fomos informados de que é devido aos membros esquenta-bancos, adjetivo este que desconhecemos se significado, enfim...); Todos bem riscados, garranchos de crianças torturadas sem o que fazer, forçadas a ficar sentadas quietas; chicletes sob o assento. Requerem reforma. Apenas os genuflexórios estão em ótimo estado. Só precisam de um oleozinho nas junções.

4-Um quadro a óleo 3m x 1,50m que ficava sobre o batistério. A moldura requer pintura mas a tela ainda está boa. A pintura, que trás uma paisagem do Jordão, está um pouco desgastada; o céu que era azul está mais pra nublado. O João Batista foi apagado, mas não se nota de longe. Há sim, uma ave enorme que lembra um pombo, desproporcional às demais figuras; aceito se for encarado como arte sul-real. Mas o que parece mesmo é que o “artista” quis por o bicho em primeiro plano em detrimento das demais realidades.

5-Um órgão precisando de afinação e reparos externos, uma vez que só estava sendo usado como apoio para inúmeros objetos; vasos, bandejas de doces e salgados em dias de festa, pandeiros, cabos, microfones, etç...Nos teclados está faltando um dó.

6-Doze cadeiras de espaldar reto, almofadadas. Sendo aonde sentavam os anciãos e chefes da igreja, foram muito solicitadas precisando assim de reforma. O tecido também está desbotado devido ao foco das luzes constantes.

Aos interessados, a ex-instituição oferece também, além dos móveis e utensílios, a prestação de serviços dos profissionais e voluntários que com suas teorias e vivências, adquiridas ou herdadas, colocam-se à disposição no mercado de treinamento, auto-ajuda, RH de outras empresas mesmo que seculares.

domingo, 19 de agosto de 2007

Casal Vinte


Vinte pedir grana,
Vinte ludibriar,
Vinte armar uma cama,
Vinte arruinar.
Vinte e-vã-gelizar,
Vinte mostrar como é que é,
Vinte convidar,
Vinte ensinar uma profissão de fé.
Vinte tirar a paz,
Vinte mostrar como é que faz,
Vinte mostrar uma mansão,
Vinte pedir que me ame,
Vinte cantar uma canção,
Vinte levar pra Miami...

Vinte pedir uma fé,
Vinte arruinar tua paz,
Vinte mostrar uma Miami,
Vinte ensinar uma canção,
Vinte levar uma grana,
Vinte tirar tua fé.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Um minuto de barulho

Porque bombas continuam a cair,
façamos um minuto de barulho:
o silêncio de morte a nos distrair,
trai e faz achar que é orgulho.

Porque bombas de todos os tipos,
esfacelando não só uns corpos,
mas umas dignidades transeuntes
duma cena de horror sem inocentes.

A resig-nação cheira a putrefatos:
consciências em decomposição;
cínicas, acompanham na televisão,
laivos de seus próprios artefatos.

Tantos outros Homens-bomba,
sutis, cingidos de suas bombas:
ganância, gravata, vangloria...
Minam o mundo, aleijam a história.

Um minuto de barulho;
mandar pros ares essa paz;
explodir os bares onde comem...
Num minuto, eco aos que somem.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Congresso de Psiquiatras



Fui fazer a 'cobertura' de um congresso de psicólogos e psiquiatras:

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Bem no meio da solidão

Bem no meio da solidão
e bem dentro de tudo
achei meu corpo mudo,
sujo de esfolar no chão.

A mão não se fechava
no que restou de pulso,
nem direito se encaixava,
a vida e o ato avulso.

Bem no meio da solidão,
vi-me feito boneco alegre
que acha graça na ilusão:
existir sem que se quebre.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Perdoe a Deus

Perdoe a Deus, irmão. O que Ele te fez ou deixou de fazer foi certamente sem querer. Sem querer te magoar. Perdoe-O se Ele está de marcação com você. Perdoe-O se feriu tua justiça; se contrariou teus credos. Perdoe a falta de consideração para com teu trabalho; o indeferimento às tuas solicitações. Perdoe o estrondoso silêncio, a única resposta que obténs. Perdoe se Ele não correspondeu à altura de tua fé. Se você seguiu às regras e nada aconteceu; se olhando para trás, vês que tua vida não deu certo. Perdoe-O. E tanto mais olhas os bem aventurados, os agraciados, os reconhecidos, os amáveis, tanto mais se acha perseguido, sem graça, desprezível. Geras assim, combustível para o motor que traciona tua vida, queimando óleo de rancor, a produzir escura fumaça de teu próprio sacrifício como oferta ao Bem Supremo. Da mesma sorte sufocas assim, do eflúvio tóxico de amargor, a tantos outros ao redor.
Por certo, hão de estar cheios de razão aqueles que assim apertam seus corações na prensa das mágoas de Deus. Você tem toda razão em ficar de mal de Deus, pois ela, a razão, é uma poderosa máquina de julgar as coisas da qual você dispõe. Ela é capaz de processar os dados e os fatos, ela separa o bem do mal, ela seleciona o trigo do joio, ela ordena e catalisa maldições e graças... Só ainda não tem compreensão do por que Deus ainda se mostra tão obsoleto e lento em Seus processos.
Perdoe a Deus, de vez. Sem se valer de razão mesmo. Não que você vá oferecer mais uma chance a Ele, como professor que ao aluno ameaça de reprovar se não cumprir suas lições. Não encoste Deus na parede. Já O encostaram a um madeiro por uma vez, precisamente porque não o perdoaram. Não perdoaram porque falou e agiu ao contrário do que esperavam, ferindo e subvertendo toda uma ordem vigente.
Perdoe-O, pois se errar é próprio do humano, Ele, em se tornando Humano, fez-se então Erro. Se não compreendes, perdoe. Decerto não agiu como um verdadeiro deus... Ao invés de, das mais elevadas regiões celestes, julgar de uma vez, com severos castigos, preferiu demonstrar fraqueza e generosidade descendo aos mais baixos níveis da terra e ter paciência com todos. Ao invés de exigir que lhe fosse sacrificada uma virgem após a outra, a satisfazer, com o sangue inocente, sua volúpia divina, preferiu Ele mesmo sacrificar-se, imaculado, para espanto de outros deuses e criaturas pelo imponderável de seu ato.
Perdoe-O por não ser o Deus de tua imagem e que constantemente litiga com este. Dos muitos caminhos que tens para a relação com Ele, o melhor é o do perdão. Perdoe a Deus irmão.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Montanha que Remove Fé


Dona Efigênia perdeu a fé.
Não sabe se perdeu a coitadinha,
ou se lhe roubaram;
ou ainda, se era fé
a fé que tinha.
Sabe que descuidou,
que não tomou conta
e até a emprestou,
mas de bom coração.
Pequena ou não
era sua...
Não tinham o direito
de lhe subtrair.
Ela sua
pra viver sem ela
e vive a se trair,
se culpa pela mazela
da montanha que remove fé...
Dona Efigênia se consola
desconfiando a coitadinha
de que não era fé
a fé que tinha.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Mas qual é o Cristo Verdadeiro da Igreja?

Segundo um documento oficial da Congregação para a Doutrina da Fé, emitido na semana passada, a Igreja Católica é a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Tudo bem, mas qual é o Cristo verdadeiro da Igreja?
Não fico melindrado com a declaração; na verdade pouco me importa, embora reconheça: uma declaração dessas é como sair batendo panela nas grades das jaulas de feras que se esforçam para conviver no mesmo canteiro do circo.
Se for importante saber onde, quanto mais ainda é saber quem. Se Cristo cabe em algum lugar e, de alguma forma - não tenho a mínima idéia como – ficasse provado que este lugar é a Igreja Católica, então se resolveriam os rachas entre cristãos com todos se mudando para lá. O adesivo para se colar nos carros então seria: sou seguro por ser católico. No entanto, proponho a crise do saber quem é o Cristo verdadeiro da Igreja - e no que concerne a este saber, tanto é prejudicial a certeza caduca, quanto a ignorância assertiva. Ambas tramam divisões desde sempre.
Odeio ter que usar passagens bíblicas, como se fossem corda de varal para eu pendurar o texto que escrevo: apoio e visibilidade. Porém, o faço na intenção de estimular uma pesquisa. É mais ou menos o que Jesus conversava com a mulher samaritana: ela queria o onde – se deveria adorar; Ele queria o quem: “... se soubesses quem sou...” (João 4.10) Ela pergunta: “...onde tens a água viva?” (João 4.11) Jesus não resp-onde. Como quando falou do Reino de Deus: não é o onde que lhe imprime a significância, mas a pessoa que o transporta, e como o transporta. Primeiro com e em Jesus; depois, plantado nos discípulos.
Pensemos então no quem; na pessoa de Cristo: todos os cristãos, contra a ordenança da lei, fizeram suas imagens de Cristo. Há um Cristo emoldurado e pendurado na parede do nosso entendimento. Há um Cristo olhando de frente, bonito, olhos claros, barba e cabelos aparados, dalmática imperial; religioso e incisivo. Há um Cristo sem cara, real, talvez feio, histórico; questionador. Há um crucificado com um crepúsculo atormentado ao fundo. Há um ensangüentado, vivo e agonizante. Há um ressuscitado, triunfante. Há um milagreiro. Há um aliado. Há um sócio. Há um justo. Há um gracioso. Há um pai. Há um nome. Há uma marca. Há um deus... E tantos outros. Para cada um, um lugar. Cada cristão busca o lugar mais a ver com seu Cristo, pois sua imagem de Cristo, na verdade é pintada num espelho segundo suas feições e interesses. Tudo que produz depois vem contaminado do seu Cristo; ninguém escapa disso. Como alguém já disse: “No princípio era o verbo, no fim o chavão.” Você vai dizer: “ah, então isso que você escreve também está contaminado...”. Sim. Feliz foi o profeta Jonas que conscientemente pregou o que não queria.
Qual é o Cristo verdadeiro da Igreja? É terrível, mas a imagem parece ser mais forte e impressionante do que o Ser mesmo. Isso é um absurdo, pois estamos falando acerca do Cristo, em quem tudo subsiste. Nenhuma imagem poderia sobrepor-se ao Seu Ser, por mais próxima da verdade. No entanto, não tendo compreensão do Ser mesmo, fazemos da impressão um simulacro do Ser em nós e para nós.
Bem, isso já está ficando meio complicado além de chato. O que me preocupa mesmo é: que Cristo eu pinto, para meus filhos, para meus amigos, para mim mesmo? E a partir daí, onde me obrigo a fazer meu abrigo? E como quero que sejam e se portem as pessoas que comigo comungam? Qualquer Cristo que eu creia, mas que não me liberta e tampouco deixa o meu semelhante seguir em frente, livre, é uma estampa ordinária, como garatujas ou imitações bizarras de obras-de-arte que, coladas numa parede, compromete e faz perder a beleza de seja lá qual for o lugar.
Deus me livre da esquizofrenia espiritual: crer num Cristo e conviver com outro inexistente. Crer num Cristo e não achá-lo onde me encontro, portanto, falando coisas estranhas e ouvindo coisas estranhas. Supor que o Cristo que vejo e contemplo com meus olhos é o tudo de Cristo e cabe perfeitamente na sala medíocre da minha compreensão...
Abandonarei isso sim, essa minha paliçada onde me protejo e me defendo dos meus inimigos em Cristo. Fugirei isso sim, como um claustrófobo angustiante de qualquer lugar de Cristo, a fim de respirar o ar fresco da liberdade em Cristo; vê-lO e quem sabe, lhe dar um “oi”.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

FALSA VALSA

Olha pessoal, o que eu achei, numas coisas de 2005. Uma letra que o Paulo Rocha fez uma valsinha. Vejam o que acham:

FALSA VALSA
Wilson Tonioli e Paulo Rocha

Hoje eu não vi o lão;
hoje eu não vi o Lino
e nem vi a cor de on,
como cantarei um hino?

Se falta o sopro a vida amarga;
falta a flauta doce sons;
nessa pauta nenhum sol...

A harmon ia, mas não foi.
De que vale se obo é?

Tudo sintetiza dor,
se o Maestro lá não for.
Basta um gesto teu e vou...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Bosta Ajuda

De antemão peço perdão pelo título tão aparentemente chulo. Até tentei outros, mas um título deve ser fiel ao texto o máximo possível, ainda que não cheire bem.
É que esses dias tive um lampejo de
alegria, como um fósforo que se acende numa escuridão, ao ler um noticiário, desses que de tão ordinários para nós aqui do ocidente, quase não arrumam um espacinho no jornal – até mesmo já ninguém liga mais para os homens e mulheres-bombas que diariamente explodem no Iraque... O informe era de que lá na china, na cidade de Nanjing, capital da província de Jiangsu, no extremo leste do país - segundo o tablóide Kuaibao - uma mulher, enquanto colocava roupas no varal, despencou do sexto andar e fora salva por um volume razoável de bosta onde operários faziam limpeza da fossa. Seria tragicamente hilário se se tratasse de tentativa de suicídio, pois se somariam motivos ainda mais repugnantes para a infeliz continuar tentando dar desfecho à sua vida; mas não foi o caso. Foi acidente; então podemos dizer que não apenas foi ajudada como foi efetivamente salva pela bosta. (que bosta, o corretor ortográfico do micro, mostrando sua faceta hipócrita, fica fazendo esse tracinho vermelho na palavra protagonista do texto, como se não a conhecesse, ao passo que aceita tantas outras aversivamente piores.)
Foi inevitável não pensar nas publicações de auto-ajuda - que borbulham triunfantes hoje em dia – e seus bem sucedidos escritores já pensando nos próximos sucessos:
Acredite Na Bosta Que Há em Você.
Você Está Na Fossa? Sinta-se Vivo!
Transformando Bosta Em Ouro.
Mexeram na Minha Bosta.
Merda e Dream: Só Uma Questão De Posicionar As Letras

E assim vai. Porém, o que eu queria falar mesmo, se já não abandonaram a leitura, não é bem o caso de auto-ajuda. Mesmo porque, se tem comprovado que esse tipo de livro ajuda mesmo ($) o escritor. O assunto, o qual talvez já fiz passar por esgotos desnecessários, é mais especialmente sobre o que vou chamar de ajuda quem vem do alto. (taí... Um título, quem sabe, melhor. Ou não, pensariam que fosse sobre controladores de vôo e deletariam)
Antes que me chamem a mim de fingido, vou dizer que não foi propriamente porque uma mulher, lá na china, de maneira tão inusitada quanto milagrosa escapou da morte, que tive esse lampejo de felicidade. Mas porque minha auto-estima subiu um degrau rumo ao patamar da crença de que posso sim fazer alguma coisa por alguém, por mais incapaz ou b... Besta que me sinta. Não é simples? Se até bosta salva, nós que somos bem melhores que isso não seremos capazes de ao menos ajudar? Se há alguma falácia nisto gostaria de saber. E olha que nem precisamos como heróis, sair em busca por aí a quem possamos socorrer. Pode deixar que, se me permitem a alusão, os necessitados caem em cima da gente e, na maioria das vezes, o que temos a fazer é tão somente não sair de baixo; reduzir impactos.
Não dê descarga nesse texto sem pensar um pouco; mesmo que seja no banheiro, enquanto tentamos convencer nosso intestino como a nós mesmos, preguiçosos, a acordar.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Palíndromos; alguma teoria

Aliás pessoal, já é hora de vcs conhecerem um pouco mais sobre a arte bestial do palíndromo.
Segundo sua classificação:

Perfeitos: aqueles cujo acento agudo ou tônico coincidem em ambas leituras.
Ex. O CID É MÉDICO; ÓPERA AR E PÓ ; A GRAMA É AMARGA
Comuns: aquele em que a acentuação é ‘desprezada’ na leitura inversa.
Ex. SÓ DADOS; O AFRO ÓRFÃO.
Líricos: quando sugere uma atmosfera poética ou remete a um sentimento.
Ex. RIR E FERIR; ÓDIO DOIDO.
Pessoais: quando faz menção de uma ou mais pessoas.Ex. Ó GOLIAS, ADIAS A SAÍDA...SAI LOGO; LEVÍ NO PSI DISPONÍVEL. MERTON NO TREM
Reticentes: aqueles que ‘pedem’ uma continuação.
Ex. E DE PÉ, PEDE (notem que é um reticente Perfeito); SAI E DIZ IDÉIAS.
Misteriosos: Também conhecidos como ‘Tudo a vê’, esses palíndromos intrigam por fazerem sentido.
Ex. SORVI LIVROS; ASSAM MASSA; O RUDE É DURO (não confundir esse último exemplo como um palíndromo Pessoal, pois Rude nesse caso é adjetivo)
Antagônicos: Não menos misteriosos, só que sugerindo antagonismo.
Ex. TUCANO NA CUT; A CARGA DA GRAÇA
Morais: esses transmitem uma moral ou um valor.Ex. ORAR É RARO; SAÍDAS SADIAS. Coloquiais: Também conhecidos como ‘Pseudos-palíndromos ou ‘Forçados’; na fonética coloquial estão corretos, mas há erro ortográfico.Ex. SÓ DÁ LOCO NO COLADOS ('colados' é o nome do grupo de jovens do Raízes) a palavra correta seria ‘louco’; O GECA CEGO.
Sensuais: Ou também ‘eróticos’. Esses primam pela malícia populesca.
Ex. SE DÁ DUAS... SAUDADES; Ó, SAI DA SAUNA A NUA SADIA...SÓ
Poliglota: os que misturam idiomas.
Ex. LIA MEU EMAIL

Vamos ficar por aqui, por enquanto. Vale lembrar que este bloguista não se responsabiliza pela eventual dependência que essa prática pode causar. Isso aqui é apenas uma demonstração de amor pela nossa língua e uma homenagem.

Wilson tonioli
Personal palíndromo trainer

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Crente Cabeça

Para ler numa golada só:


Crente Cabeça
no meio da massa
não diz o que pensa
só para o comparsa.
Crente Cabeça
não joga conversa
recicla sua prosa
a imagem conserva.
Crente Cabeça
um bicho de raça
ninguém lhe entende
mas sabe a beça.
Crente Cabeça
critica a exegese
não faz catequese
dialética curte.
Crente Cabeça
adora pensar
e pensa que pensa
fértil pensamento.
Crente Cabeça
flerta com a arte
pisca pra fé
foge com a razão.
Crente Cabeça
cabeça aberta
cai tudo de dentro
peça por peça.
Crente Cabeça
de Bíblia na mão
nova tradução
segundo o que pensa.
Crente Cabeça
todos lhe invejam
ninguém o deseja
do lado na igreja.

domingo, 24 de junho de 2007

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Parada ou Marcha

Parada ou marcha?
Ontem me perguntei.
Marchar com os Hernandes
ou ver a parada gay?
Homens vestindo mulher
ou fera vestindo homem?
Gritos na Paulista desvairada
ou sermão da paulista em Miami?
Marcha ou parada?
O pecado escancarado do traveco
ou o pecado travestido do evangélico?
O que peca e mostra
Ou o que pega e esconde?
O que sobe na cama e abusa de si
Ou o que sobe na fama e abusa do outro?
Homem que ama outro homem
ou homem que ama a si próprio?

Parada ou marcha, aonde vou?
Mil roupas visto e torno a tirar...
Indecisão de pecador que sou,
mas sem a coragem de me mostrar.