segunda-feira, 12 de maio de 2008
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Isabella, o Padre e Ronaldo
Também não sei. É só mais um pau-pite dentre tantos.
A Isabella foi lá pro céu;
o padre foi lá no céu;
o Ronaldo foi lapso seu.
Isabella perdeu com tratos;
o padre perdeu contato;
Ronaldo perdeu contrato.
A Isabella subiu;
o padre sumiu;
Ronaldo assumiu.
Isabella está com Deus;
o padre escafedeu;
o Ronaldo escondeu.
Isabella é só menina;
o padre é só neblina;
Ronaldo é só menino.
Isabella desaparece;
O Padre S.O.S;
Ronaldo e o que parece.
A Isabella comoveu;
o padre se moveu;
Ronaldo como vê...
Isabella, pra que se recorde;
o padre pra quebrar recorde;
Ronaldo pra que não recorde.
Isabella, bela em paz;
O padre, balão e gás;
Ronaldo, bolão e rapaz.
Do pouco que sei,
sei que isso revela o outro lado de nossa lua;
o lado não brilhante e escurecido
que nossa própria luz sombreia.
Quanto mais criminosos ver presos,
mais cidadão de bem me vejo.
Com quanto mais loucos a voar me deparo,
mais são e pé-no-chão me sinto;
Quanto mais os imorais me escandalizam,
mais provido de princípios me acho.
Quando o mal acabar,
sim, e só quando,
haverá motivo para me desesperar.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Cortes

Com licença para um reclame: Marcus e Tânia são meus professores lá no Indac.
Ainda não vi a peça, mas conheço o trabalho dos dois. Recomendio.
SINOPSE:
Em uma metrópole chuvosa, seis pessoas encontram-se em dilemas existenciais. Os conflitos estabelecidos modificarão profundamente o rumo de suas vidas, trazendo à tona o vazio e a fragilidade de sua existência. Um executivo, uma secretária, uma vendedora, um músico e um casal vivem momentos de perdas, descobertas e transformações. Conflitos entre pessoas que estão no limite. Momentos em que uma simples escolha pode mudar tudo. Um corte seco e silencioso sobre seis destinos.
Cortes
Direção: Marcus Paulo Tavares
Texto: Rodolfo Araújo (em colaboração com Teatro do Silêncio)
Elenco: Ana Alves, Antonio Aurrera, Debora Omaki, Ricardo Peres, Rodolfo Araújo e Tania Kesselman
Cenário e trilha sonora: Marcus Paulo Tavares
Iluminação e fotografias: Ricardo Peres
Produção: Taís Rios e Guto Mendonça
Operador de luz: Thiago Codinhoto
Operador de som: Gerson Almoster
Duração: 70 minutos
Idade: a partir de 16 anos
Dias e horários: Terças-feiras, às 21hs (de 13 de maio a 03 de junho de 2008)
Ingressos: R$ 10 (meia-entrada) e R$ 20
Local:
Viga Espaço Cênico (74 lugares)
R. Capote Valente, 1323 – a duas quadras do metrô Sumaré.
Tel.: (11) 3801.1843
ca FÉ com LEI te (3)
? ergunte ao ?astortudo o que você sempre quis saber sobre igreja, mas tinha medo de ser excluído.
21- Um excelente fotógrafo tem o dom da revelação?
22- Só um crente nó-cego pode decretar: "está amarrado"?
23- Malaquias era um profeta chato?
24- Salomão já estava careca de saber?
25- Qual a idade das trevas?
26- Se um contador se converte, ele cobra pra contar as bênçãos?
27- A teologia da libertação é incompatível com a teologia do "tá amarrado"?
28- O bispo está sempre atrás de um pião?
29- O amor cego e a fé cega precisam de um bom pastor alemão?
30- Um protestante come arroz-papa?
terça-feira, 6 de maio de 2008
domingo, 4 de maio de 2008
Evitei e tive (palindrosia)
Não sei ao que mais se presta além de permitir que um judeu também o possa ler, mas enfim...
Evitei e tive
Evitei e tive
ódio doido...
Até o poeta
acata e ataca
o cínico.
O ânimo domina-o;
a sua causa
ele
ata, berra, arrebata...
Aviar a raiva,
evitei e tive.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
quarta-feira, 30 de abril de 2008
domingo, 27 de abril de 2008
Letransformando
Mudou sua estética:
do Desleixo de um D,
não quis mais se fazer.
Pôs um cinto apertado,
doravante mal falado...
Bel-prazer.
N esforçou-se,
a fugir da Zombaria
do ser um Zero Z,
mas foi só a Zoada,
tentativa frustrada.
Girou no próprio eixo...
Nada.
M miscigenou-se.
Nasceu dos Ideais...
Uniu o Indivíduo I,
a outro, no Vínculo V
e deixou-se ao Vento,
pra qualquer momento
ver o fim da Intransigência...
Movimento.
U rebelou-se.
Saiu da mesmice
do círculo do O
onde nada se cria.
tanta gente queria,
romper na tangente...
Utopia.
F desafiou-se.
Não quis mais o chão.
Desdenhou o Equilíbrio do E
que é segurança de um pé,
mas também, a dor do finito.
Não ligou para gabarito...
Fé.
A, deu-se.
Refez a Visão.
Tinha Vitórias de V,
mas, simétrica Vítima,
só olhava pra si.
Cingiu a faixa do favor,
olhou para cima...
Amor.
sábado, 26 de abril de 2008
ca FÉ com LEI te (2)
Onde o caFÉ é preto e obscuro
e o LEIte é branco e claro.
A mistura dos dois é o bege cínico,
mas isso não vem ao caso.
Bom, apesar dos protestos vamos continuar com este Espaço. Quero agradecer aos pastores que nos responderam as questões enviadas pelos LEItores.
Lembro aos amigos que a dúvida é o elemento fundamental para sabedoria. Portanto os pastores "cabeça", ao invés de acusarem os ignorantes, deveriam antes, valorizarem suas dúvidas. Desculpem, não estou aqui para sermões.
Seguem outras dez perguntas:
? ergunte ao ?astor
tudo o que você sempre quis saber sobre igreja, mas tinha medo de ser excluído.
1 - Congregação é uma igreja em que todos falam grego?
2 - Um casal que se separa, mas que continua crendo nas mesmas coisas, está rompendo em fé?
3 - Se uma pessoa distribui folhetos no ponto-de-ônibus, ela está abrindo um ponto-de-pregação?
4 - O contrário de unção é dois é?
5 - É verdade que unção outros não?
6 - Uma obra santa deve ser construída com cal virgem?
7 -Uma música gospel é aquela que SALiVA?
8 -Se há poder nas palavras, por que a palavra calma não explode?
9 -Podemos dizer que evangelização em bares são as nossas obras embargadas?
10 -Santo Agostinho foi precursor de santo Setembrinho?
quinta-feira, 24 de abril de 2008
E o Vento levou...
Homenagem ao padre paranaense Adelir De Carli.
A opinião é quase unânime de considerar uma estupidez sua atitude: se amarrar em mil balões e se deixar levar... Pode ser, mas por que ninguém acha estúpido morrer bem lentamente, mediocremente numa cadeira de escritório, repassando e-mails, falando da vida dos outros e seguramente assistindo a vida passar?
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Para que o Nerd também entenda
No princípio, o Ser que é infinitamente
superior a Bill Gates,
inicializou todo o sistema operacional que existe.
Porém, o sistema não tinha formatação; vazio.
Havia black-out nos ambientes.
A partir daí, sem dado algum,
desenvolveu todos os hardwares
e softwares que existem.
Após adicionar todos os componentes
finalmente implantou o primeiro usuário
à semelhança de suas próprias configurações,
para fazer a interface entre as plataformas
e ser o administrador de todo o sistema.
Este administrador sentiu-se só
e foi lhe dado então uma backup; uma ajuda,
que embora feita com as mesmas ferramentas
possuía outros aplicativos,
entre eles o poder de executar outros usuários,
mas sem se limitar à propriedade de placa-mãe.
O Ser que tudo inicializou
mantinha com eles
uma caixa de diálogo constante,
conexão de banda larga
e não se ocultava deles
nem minimizava a tela da relação.
Dava respostas a todas as suas buscas.
Ele decidiu não instalar neles
nenhum chip, tão pouco formatá-los;
os usuários eram inteiramente livres.
Foram para sempre
adicionados aos favoritos
do Ser inicializador.
Deu-lhes o gerenciamento
de todo sistema,
desde dar ícones a todo componente,
até fazer alocação de recursos do sistema;
tinham infinitas opções de acessibilidade
e a tudo podiam personalizar...
Mas o Inicializador
mostrou-lhes uma árvore de domínio
da qual não poderiam fazer download
de arquivos executáveis nenhum...
Mesmo porque o sucesso do download completo
de todo arquivo só o Inicializador conseguia.
Os usuários desobedeceram,
iludidos por um vírus
que foi baixado a este sistema,
ao qual falhou toda e qualquer verificação
e ele se instalou, digamos assim,
como um fatal erro, cujo dano principal,
foi apagar boa parte da memória dos usuários,
ao infecta-los com poderosíssimos vergonha/medo.com...
Gerações de usuários tentaram fazer atualizações
de antivírus, mas fora em vão as tentativas.
Criaram códigos e senhas,
contudo, “o modo padrão que queriam
não conseguiam baixar, mas o spam, que não queriam,
esse sim, estava sempre diante de suas telas.”
Por causa desse evento significativo no sistema,
todos os usuários da rede
amargariam a barra de tarefas;
navegariam carregando eternamente
sem conseguirem rodar seus programas
até que, por fim, teriam que finalizar.
Mas o Inicializador de tudo
saiu do ambiente em que estava
e ele mesmo se fez um usuário,
cópia idêntica do primeiro,
entretanto, sem fatal erro... O próprio Glossário.
Seu escopo: salvar os usuários da finalização
e reconectar os usuários ao Inicializador.
Sua mensagem: “quem não reinicializar,
não pode visualizar o Novo Domínio.”
Mas embora tenha assumido,
a barra de tarefas de todos
como servidor padrão que era,
sua própria comunidade
queria mandá-lo para lixeira;
anexá-lo num post qualquer.
Criaram até a comunidade:
“soltem.barra.bás.com”...
Obtiveram sucesso.
O Ícone foi anexado ao post
e teve que agüentar os piores comentários.
Não respondendo mais aos cliques
fora excluído daquela área
e enviado a uma área de trabalho remota...
Mas jamais o Inicializador o abandonou
e com seu Poderoso Processador,
o removeu dali, para o domínio pai
e está ativo novamente.
Agora, todo usuário que clicar
nesse Ícone que fora anexado,
tem atalho direto com o Inicializador,
pois Ele excluiu de uma vez por todas
a pasta de arquivos de dívidas
baixado contra o próprio usuário.
Mesmo sendo infectados,
serão perdoados os seus dados maliciosos
e os usuários não serão finalizados,
a saber, se clicarem naquele Ícone.
E o que protege esse sistema?
Quem garante essa estabilização?
Um Suporte vinte e quatro horas
Dado aos usuários.
Um Servidor de envio e recebimento
De e-mails que faz a correção e interpreta
as mensagens ao Inicializador.
“Porque o Inicializador amou o
sistema de tal maneira, que enviou
seu próprio Ícone, para que todo
usuário que nEle clique não finalize,
mas navegue eternamente.”
Tutorial 3.16
sexta-feira, 18 de abril de 2008
poderes x religiões x povo
Nessa história os leões representam o poder, o crocodilo são as religiões que atuam sorrateiramente, o filhote de búfalo é o próximo e a manada é (ou deveria ser) o povo... E os caras que estão gravando e comentando? Somos "nozes", que só sabemos dizer: "oh my God ! Oh my God!".
quinta-feira, 17 de abril de 2008
terça-feira, 15 de abril de 2008
ca FÉ com LEI te
Depois do Café com Graça do pastor Caiu Fábio, estamos inaugurando o Espaço
CaFÉ com LEIte.
Onde o caFÉ é preto e obscuro
e o LEIte é branco e claro.
A mistura dos dois é o bege cínico,
mas isso não vem ao caso.
Promoção do mês:
Quem pedir um caFÉ com LEIte, ganha uma graça na chapa.
é só falar que freqüenta este blog.
Este espaço é dedicado a todo crente (pode ser evangélico também) que não tem vez na sua igreja a não ser na hora das ofertas.
Criamos então o ?ergunte ao ?astor:
tudo o que você quis saber sobre igreja, mas tinha medo de ser excluído.
Já recebemos vários e-mails com várias perguntas e fica aí um desafio aos milhões de pastores, cabeças ou não, desse Brasilzão afora, de responderem.
?ergunte ao ?astor
1.Se pecar é errar o alvo, quem mija fora da bacia está em pecado?
2.Robin Hood era um homem sem pecado?
3.Se alguém não fala palavras que edificam, não consegue erguer uma boa obra?
4.Se eu escolher acreditar na doutrina da predestinação, então cometi um paradoxo?
5.Se um ateu se converte, ele passa a não crer naquilo que não acreditava?
6.O pastor é um homem com cajado na mão que conduz as ovelhas, ou um homem com ovelhas na mão que conduz a cajado?
7.Os dez mandamentos são só dez mesmo, ou foi o que Moisés conseguiu carregar na tábua de pedra?
8.É verdade que Sodoma e Gomorra são uma corruptela de, só dou uma e ego morra?
9.Quais são os Estados dos sete pecados capitais?
10.Se os profetas de baal são maus, os de maal são bons?
=?=
Por enquanto é isso; desde já agradecemos a você pastor, que responderá aos nossos LEItores; até a próxima.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
quinta-feira, 10 de abril de 2008
terça-feira, 8 de abril de 2008
domingo, 6 de abril de 2008
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Dias assim não podem passar em branco
"Eu tenho um sonho: que um dia esta nação se porá de pé e viverá o verdadeiro significado de sua crença: Nós conservamos esta verdade para ser auto-declarada, que todos os homens foram criados iguais. Eu tenho um sonho, e nele, meus quatro filhos pequenos viverão em uma nação em que não serão julgados pela cor da sua pele mas pelo conteúdo de seu caráter."
Martin Luther King
Pena que essa nação a que se refere o pastor, tenha se tornado tão evanBÉLICA.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Acho
ou porque não tenho certeza?
Ou não acho por que
não procuro ter certeza?
Também posso ter certeza
de que jamais vou achar
e por isso mesmo,
acho que não vou mais procurar
em vão, a certeza...
Mas se achá-la,
vou procurar não contar
aquilo que acho.
terça-feira, 1 de abril de 2008
segunda-feira, 31 de março de 2008
A língua do p
Tem pastor com p minúsculo;
e tem pastor com p ridículo.
O Primeiro é Pastor divino,
é Puro e Poderoso.
O segundo é pastor terreno,
é pobre pecador.
O terceiro é pastor terrível,
é podre e perdulário.
O Pastor divino perdoa.
O pastor terreno pondera.
O pastor terrível pune.
O Pastor que perdoa, promove.
O pastor que pondera, propõe.
O pastor que pune, poda...
O Pastor tem plena presciência.
O pastor tem plano e prudência.
O pastor tem pleito e pendência.
O Pastor é perfeito.
O pastor é projeto.
O pastor é pérfido.
Ele é Todo Poderoso.
Este é todo piedoso.
Aquele é todo perigoso...
Palavra.
Pregação.
Pres-unção.
Pai.
Pessoa.
Parasita.
Ponto-final.
Proposição.
Panos-quentes.
domingo, 30 de março de 2008
quarta-feira, 26 de março de 2008
Universo no teu corpo
"...Por uns velhos vãos motivos
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor..."
Taiguara, no show que fez no Anhembi (São Paulo) logo que voltou do exílio em 1978.
terça-feira, 25 de março de 2008
segunda-feira, 24 de março de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
Do lugar do adversário

Em outro lugar, demônios de todos os ministérios estavam avisados do grande acontecimento e em caravanas para lá se dirigiam. Lá, era um lugar como outro, mas como não seria jamais. E iam pervertendo e arruinando a todos que encontrassem, já por conta da grande vitória assegurada.
Os olhos de todas as forças obscuras do cosmos eram voltados para aquele relevo, árido, fora, mas próximo à cidade. Pessoas então, também começam transitar mais do que o normal. Caminhavam para lá. Lá, era um lugar dos espetáculos. Procuravam-se os melhores lugares; na terra ou nos ares. O indefectível desejo mórbido presente nos expectadores. Expectativa. Burburinho solene.
D1 está sentado. A posição, como não poderia deixar de ser, era privilegiada. Está quieto e não pára de pensar; os olhos, no centro de lá. Lembra-se como tudo começou... A morte, convidada especial, sentara-se ao seu lado.
- Desculpe-me, baixeza - interrompeu D2, seu primeiro ministro - está tudo sobre controle. Ele já foi julgado. Em breve, afinal, assumiremos. Judas nem foi tão importante... Ele mesmo se entregou.
D1 não quis dizer, mas pensou: - É isso que me intriga...
D3, D4 e D5 invadem a presença de D1 com gargalhadas escarninhas... - Esse Pilatos é mesmo de morte eim!? Lavar as mãos!... Que idéia! Só mesmo um político - zomba D3.
D4, como um chefe de torcida, instiga o coro: - Barrabás! Barrabás!...
Embriagado de motivação, D5 ironiza: - Vejam só o que estão fazendo com ele! Nem nós faríamos melhor!
D1 não consegue se envolver. Não ri. Só pensa... Só olha.
Percebendo mas não compreendendo a preocupação de D1, D2 retoma o diálogo e o clima sério: - baixeza, já mandei averiguar. Nenhum dos que andavam com ele estão por perto. Não representam ameaça alguma. Nem mesmo o pescador metido a rebelde... Já o negou várias vezes...
- Três! - Corrige gritando D1, transparecendo certo descontrole.
- É verdade! - Emenda D3, quando é duramente reprimido por D2:
- Eu já não disse que essa palavra é proibida em nosso reino?!
- Me perdoe - diz D3 constrangido.
- Ora, isso também não fazemos! Blasfêmia! Você será rebaixado! - Enfurece-se D2.
- D4 lembra: - Não nos percamos... Também adoro um desacordo, mas hoje é dia de festa senhores!
Enquanto isso, a milícia infernal encontra-se impaciente. Fora da presença de D1, todos só imaginam o que será o novo reino de trevas e caos eternos. E D1 só imagina o que pode dar errado...
Ele olha agora, no palco há três colunas de pinheiro oriental, cravadas no solo. A vítima, carregava uma haste e deitam-na sobre esta como se fosse travesseiro. Está banhada em suor e sangue, extenuada. Outras duas gritam e se debatem, alternando o foco de atenção da platéia. O horror é menos pela morte do que pelo morrer.
Afigura-se um quadro pintado por demônios e toda sorte de potestades. Está por um fio a esperança. De repente, um vermelho carmesim, mancha com força a tela; ao mesmo tempo em que um grito lancinante rompe em desespero. Êxtase para o mal. Entretanto, o grito e o sangue aspergido com violência fazem D1 se lembrar, sem saber por que, do dia em que um jovem chamado Isaque seria sacrificado pelo próprio pai.
- Estou profundamente perturbado - pensa - os gritos desse me lembram os gritos daquele jovem... Por que? Por que?
Num estalo, a resposta para uma inteligência superior aos demais séquitos.
- É isso! É isso! - Já em desespero, vocifera D1. Freneticamente irado, levanta-se do seu lugar; e nessa ira já sucumbem milhares de seres inferiores... Ele grita com seus imediatos, e esse grito faz imediatamente tudo se calar:
- Vocês não vêem?! É o pai que sacrifica o próprio filho como em Moriá. Isso será para o nosso fim e não para a nossa glória!
Sem entender muito bem, D2 dá ordens de tentar conter o sacrifício. Desestrutura-se o comando maligno. D3 também não compreende tal paradoxo – inteligências terrenas também não - de como pode haver vitória ante a humilhação, a dor, a morte... Mesmo assim arrisca acalmar D1:
- Lembre-se baixeza que o braço do pai do menino foi contido...
- Ora, seu estúpido - já fumegante D1 diz, sem mais paciência - o que nunca teve mesmo. Explica: - Só o Altíssimo poderia conter o braço enlouquecido da fé daquele pai naquele dia... Agora é o seu próprio braço! Não haverá outra vítima que o possa agradar. Se não o impedirmos será o nosso fim para sempre!
Trovões, vento forte, horizonte precocemente escurecido retratam de maneira visível a batalha invisível que se trava. Legiões inteiras, todas as hostes, desesperadas, ensandecidas, contra um único braço que desce... De poder e amor desce. Incontível...
Um sussurro ensurdecedor se ouve dos lábios do crucificado: - Está consumado.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Sobre o Ter e o Ser (2)
Eu não sou convicto das pregações nem tenho certeza de nada. Por isso fiz essas brincadeiras com as palavras aí em baixo.
Tudo bem, chamam de fuga, brincar com aquilo que não conseguimos lidar internamente... Que seja. Fugirei sempre em que encontrar as portas do cárcere do senso-comum abertas.
Voltando: é tolice pensar que alguém deve ser feliz, por exemplo. Como se tivesse nascido assim. Quem disse que o ser humano é feliz por natureza? Deveria então nascer gargalhando ao invés de chorando. Não sou terapeuta de feto, - nem de fato - mas será que ele não chora porque passa do estado de paz e não-medo para o irreversível estado de ansiedade e medo? Chora porque nunca mais será o mesmo...
Mas isso também é uma teoria. Minha teoria. Não posso provar sequer com meu testemunho, se fora assim mesmo que se deu comigo... Faz tanto tempo. E no meu caso ainda teria um agravante, pois além da fase embrionária que precede a fase fetal, vivi a fase fatal, - que sucede a fetal, se algum descuido ocorrer - dadas as circunstâncias da minha natividade. Mas isso é outro assunto.
Na questão do ser, o máximo que conseguimos é ser humano, e não pleno.
Mais uma proposição: o que veio a ser foi feito do que se veio a ter.
Seu pai teve a chance de conhecer uma mulher. Ela teve uma ótima impressão dele. Tiveram um relacionamento. Tiveram a coragem de se casar. Tiveram outro tipo de relacionamento, mais específico (veja, estou falando de nossos pais, por isso essa ordem dos fatos). Sua mãe passou a ter náuseas, logo, e por fim, teve você, este ser tentando ser você mesmo o tempo todo. - Tai outra discussão: dá pra ser outra coisa senão nós mesmos? Enfim, outro assunto também.
O importante, diz o consenso, é que você deve ser... Contudo, e antes de tudo, você precisa ter a consciência de que precisa ser.
Ser é chato e presunçoso. Ter é humano.
Ser é ambíguo. Ter é umbigo.
Ser é uma floresta densa e intransitável.
Ter é uma rua de terra.
Não que eu seja contra o ser. Querendo ou não eu sou.
É que as crises de ser são mais severas que a do ter. Se você está em crise por você não ter, dá-se um jeito ou mesmo conforma-se. Se você está em crise porque você não é, aí não há jeito e nem nunca você vai se conformar com isso.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Sobre o Ter e o Ser
você quer um termo por metro.
Se você quer térmico,
você quer um macaquinho.
Se você quer terminar,
você quer enterrar bombas.
Se você quer ternamente,
você quer decorar.
Se você quer terapia.
você quer se lavar.
Se você quer tergal,
você não quer Betânia.
Se você quer terremoto,
você quer mudar de canal...
Se você quer sermão,
você cansou de ser pé.
Se você quer sertão,
você quer ser um grande...
Se você quer serviço,
você quer exuberância.
Se você quer servo,
você quer um filho do teu filho.
Se você quer servil,
você quer ser mau.
Se você quer serpente,
você quer pentear.
Se você quer serafim,
você quer desejar.
Se você quer Serafina,
você quer ser modelo.
Se você quer sereno,
você quer ser antiácido.
Se você quer seresta,
você não quer ser aquela...
Mas para ser, você precisa ter.
Vejamos:
Se você quer sermão,
você precisa terapia.
Se você quer serviço,
você precisa termômetro.
Se você quer sereno,
você precisa ternamente.
Se você quer serafim,
você precisa terremoto.
Se você quer seresta,
você precisa tergal.
Ou seria o contrário?
Se você quer ter, você precisa ser:
Se você quer térmico,
você precisa sertão.
Se você quer terapia,
você precisa sermão.
Se você quer termômetro,
você precisa sereno.
Se você quer terminar,
você precisa serafim.

