sexta-feira, 30 de abril de 2010

Seja feliz porque a vida galopa

Uma menina fez quinze anos.
Ela está presa nos dias da semana
e na cama produz pólen nos sonos.
Só no oitavo espirro se acalma.
Ela está livre de arrumar o quarto;
está livre de revelar pensamentos
que fogem nas palavras insanas
e regurgita o que não pode explicar.
O mapa-múndi é o mundo pregado
escondendo a parede pichada
de um mundo maior e escondido
nas revelações do seu rosto no espelho.
Uma menina fez quinze anos
e o mundo deve estar podre;
ela sente aromas azedos
e o mundo deve estar pobre;
tem dó do ladrão de brinquedos...
Uma menina fez quinze anos
pensando que faz tempo que fez,
e o telefone tocou uma única vez
desde que sempre existiu.
Não perde chance de falar.
Perde coisas caras
e quebra cara de coisas.
Dos pés come as unhas e a carne,
pra não andar onde não quer.
Não quis querer dançar a valsa,
mas quer querer pisar nos pés...

Uma menina fez quinze anos,
“seja feliz porque a vida galopa”.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A Internet no Velho Testamento (2)

Clique na imagem (mas não a adore) para ampliar.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Um palíndromo


SORVI LIVROS

terça-feira, 20 de abril de 2010

A Internet no Velho Testamento


Clique para ampliar. Sem virus e sem spam que o diabo amassou.

sábado, 17 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O Tatu Claustrofóbico (da Série, Animais Especiais)

Tadeu odiava o escuro. Mas não era o escuro, eram os lugares apertados e com uma única saída. Ao certo, Tadeu não sabia o que lhe incomodava tanto ao ter que entrar num buraco. Tadeu era claustrofóbico, mas não tinha este diagnóstico.
Diziam a ele que acabaria morto por passar tanto tempo fora da toca. Para Tadeu a agonia da morte estava justamente ali dentro. Do psíquico os sintomas passam ao físico e Tadeu começa transpirar dentro da carcaça, as patas ficam trêmulas e o coraçãozinho parece que vai explodir. O medo alimenta o medo e Tadeu sai como uma bala do buraco, o que faz aumentar ainda mais o batimento cardíaco, porém a luz e o ar externos o acalmam.
Devia fazer uma escolha quando os cães dos caçadores estavam por perto: a segurança mórbida do aperto escuro, ou o perigo vivificante da savana aberta. Optava pelo segundo. Isso acabou lhe garantindo um tipo de inteligência estratégica para encarar cães e caçadores. Como possuía uma carapaça óssea, dura e flexível, podia se fechar como se fosse um coco maduro em pequenas moitas, até em meio aos cactos, com as garras para cima. Quando vinha um cachorro, ele o feria no focinho, ponto fraco do inimigo. Sem cão, caçador não é nada – e gatos são muito sublimes para suportar o fedor de um Peba. Assim, despistava-os.
Tadeu era solitário não porque os tatus têm essa fama, mas porque não conseguia conviver nas comunidades subterrâneas. Sonhava um dia encontrar um parceiro com a mesma fobia. Quem sabe uma parceira... Achava na sua ignorância de Tatu-peba, que poderia gerar outros clautrofobicozinhos e, com muito treinamento e aperfeiçoamento de seus estratagemas, outros viriam se juntar ao novo modelo de sobrevivência, sem precisar construir túneis para todo lado e viverem subalternamente subterrâneos.
Seus iguais lhe censuravam: “você não pode fugir da sua natureza! Você foi feito para cavar!”
Tinha que absorver as troças dos outros tatus que em rodinhas ficavam medindo suas garras e competindo quem tirava mais terra em menos tempo. Ao passo que ele examinava as suas unhas cada vez mais atrofiadas por falta de exercícios. O que dava dignidade aos tatus, Tadeu desdenhava.
Tadeu passava horas e horas em meio a uns arbustos, refúgio que ele já se adaptara, quando havia caçador por perto - entenda-se por caçador não exatamente um sujeito bem equipado, botas e espingarda, cara de mau e cães de raça, mas um miserável morto de fome do Cerrado, com facão, pé no chão e vira-latas não menos miseráveis. Ali Tadeu aproveitava para pensar, enquanto deitado de costas, de papo pro ar, olhando o céu. Pensamento de Tatu-peba não vai muito longe, mas Tadeu explorava os seus limites. Pensava o que seriam aquelas coisas brancas, suspensas no ar, que se moviam lentamente mudando de forma a cada piscada de olho e que, por ser míope, a imaginação fluía e o fazia ver, dentro do seu restrito universo, figuras: um teiú; um tatu que vira formiga; uma cabeça de cão; um cateto; uma ave; um tatu de novo... Fica pensando também que passou grande parte da vida sem olhar para o céu. Seus semelhantes entendiam muito de terras e formigas, mas quase nada de pássaros. O seu faro é ótimo e lhe avisa quando deve parar com os pensamentos. Enquanto isso pensa no papo que teve com um Tatu-canastra e porque aquilo lhe ficava martelando. Era meio que proibido para um Tatu-peba a socialização com um Canastra. Para os Pebas o nome já dizia tudo: eram uns canastrões. Dissimulados, se faziam de coitados alegando que sua espécie estava em extinção e, muito embora os Pebas não entendessem muito bem o que isso significava, alguns eram iludidos e sediam suas tocas com muito custo escavadas, para esses tatus gigantes, natos fossadores que arrombavam tais moradias as deixando inabitáveis depois. Sem contar que seus hábitos noturnos fazia piorar sua reputação.
Contudo, para Tadeu, como sua fama entre os Pebas já não era lá essas coisas, trocou umas conversas certo dia com um Tatu-canastra. Aquilo que ficou martelando. O Canastra lhe contou numa noitinha, instante em que os pebas se recolhem, e enquanto degustavam um formigueiro em pânico, que descobriu nos recônditos subterrâneos, coisas indizíveis; sacrilégios.
- Como posso saber se está falando a verdade, se eu não entro por mais de um metro nesses buracos? - Respondeu Tadeu.
- Por baixo não podes, mas por cima vasculhas. – Retrucou o Canastra.
- E aí?
- E aí seu peba, vê se não está cheio de buracos ao entorno do... Do cemitério dos humanos.
- Que barbaridade!

A barbárie era que, segundo o Canastra, os Pebas estariam a comer cadáveres. Embora houvesse mesmo inúmeras tocas no entorno do cemitério, Tadeu não conseguiu provas contundentes, o que também não quis se esforçar para isso. E quando não há provas, há dúvidas. A prova faz cessar as reflexões, a dúvida as fomenta. Por isso, Tadeu passava cada vez mais tempo entre as moitas, pensando, pensando, mesmo quando já não havia mais vira-latas por perto.
Por fim, entre nuvens e cemitérios, passava pela cachola do Tadeu a sua condição de tatu-peba e por que razão tinha aquele medo todo da subterra. Era ele normal e todos os outros anormais desprovidos de medo, o medo que adverte contra absurdos e atrocidades? Por que então não aparece outro tatu, ou tatua, no mundo como ele? – Mundo de tatu é tão somente o seu habitatu, vale dizer.
Tadeu foi ficando cada vez mais isolado e a cada dia perdia mais o contatu com a realidade. Perdendo o medo de cães e caçadores; perdendo a coragem de enfrentar os becos; perdendo o preconceito de se aproximar dos Canastras; perdendo os limites do pensamento... Tadeu se tornou um andarilho, sem garras, de casco queimado, sobrevivendo de restos de cupinzeiros desabitados e raízes secas.
Visto cada vez menos aqui e acolá falando sozinho, algumas vezes gritando e praguejando, xingando de carniceiros a outros Pebas que riam e zombavam dele e os Pebinhas se divertiam jogando-lhe torrões e fazendo um círculo em volta dele até que se desesperasse.

Não possuindo mais dados fidedignos para essa narrativa, este narrador encerra com a última e maldosa informação, de que fora Tadeu adotado por um Tatu-galinha.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Beijo Bandido

Um beijo estava chegando à faculdade quando percebeu uma muvuca e viu que era um amigo que estava sendo preso. Já estava algemado, mas muito aflitos conseguiram trocar umas palavras antes que entrasse no camburão:

- Que aconteceu?

- Não fui eu! Não fui eu!

- Mas o que?!

- A meningite! Não fui eu!

- Calma, vou te arrumar um advogado!

- Alguém da facul pegou meningite e fui acusado!

- A pessoa morreu?

- Como vou saber? Só sei que sou inocente!

- Preciso saber para saber o tipo de advogado que precisa!

- Explica pra eles! Você me conhece! Sabe que eu não faria mal nem se fosse de Judas!

- Não fale mais nada! Quanto mais fala, mais a saliva depõe contra você!

- Que ódio! Me soltem! Senão vou beijar vocês!

Diante dessa ameaça, amordaçaram-lhe:

- Hurrmm! Hurrmmnn!

- Vocês não podem fazer isso! Ele tem o direito de ficar em silêncio, não o dever!

- Hurrmm! Hurrmmnn!

- Tem aqui várias testemunhas! Não podem mantê-lo como um beijo roubado em seus direitos! Vou entrar com uma ação e o Estado é que acabará no tribunal!

Diante dessa ameaça, soltaram os lábios.

- Hurm... Seus truculentos reacionários! Vou beijá-los de língu...aiii!

Diante dessa ameaça, deram-lhe uma porrada.

O amigo consegue chegar mais próximo do beijo que está sangrando e meio desmaiando, mas antes de baterem a porta do carro, ele consegue balbuciar:

- Dig... Diga a ela... Q... Que fiz por amor...

Som de Sirene.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

ENENEM (2) - Nomes

Com certo atraso, segue o ENENEM (Exame Nacional Evangélico Neófito de Ensino Medíocre) deste semestre:

1. Primeiro sumo sacerdote dos hebreus:

a) Aarão
b) Bbrão
c) Comerão
d) Se-for-beber-não-dirija-estudo-bíblico

2. Segundo filho de Aarão:

a) Abiú
b) Fechoú
c) Rasgoú
d) Nem-abiú-nem-fechoú-só-o-paí-podiá-entrá-no-santo-dos-santos

3. Terceiro filho de Davi:

a) Abboteco
b) Absalão
c) Abnada
d) Abboca-de-mula

4. Neto de Eli:

a) Aitube
b) Youtube
c) Twitter
d) Interneto

5. Décimo-primeiro rei de Judá:

a) Sorterias
b) Azarias
c) Rabudorias
d) Tanto-faz-crente-não-jogarias

6. Um dos que assinaram a aliança, (Neemias 10.17) Pai do falso profeta, Hananias:

a) Brancur
b) Vermelhur
c) Azur
d) Afro-descendentur

7. Parente de Noemi e esposo de Rute:

a) Boaz
b) Gostosaz
c) Enxutaz
d) O-que-vale-é-a-belezaz-interna

8. Pai de Haniel e príncipe de Manassés:

a) Éfode
b) Énamore
c) Éfica
d) Épecado

9. Pai de Berodaque, rei de Babilônia:

a) Festão
b) Bailão
c) Baladão
d) Shabatdão

10. Filho de Sete e neto de Adão:

a) Enos
b) Sal-de-frutas
c) Sal-de-andrews
d) Vomita-que-faz-bens

quarta-feira, 7 de abril de 2010

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pô ética (6)

Melhor descobrir pedrófilos
nos homens atrás de batinas;
amigos de Pedro, não de filhos.