segunda-feira, 30 de junho de 2008

sábado, 28 de junho de 2008

Falando em reforma...

No canteiro de obra:

crente prego-sem-cabeça: edifica, mas não aparece.
crente furadeira: só dá furo e ainda faz muito barulho.
crente metro-de-bambu: útil em áreas de tensão.
crente martelo: pregador por vocação, mas faz estrago quando erra na introdução.
crente martelo-de-borracha: agride, mas não machuca.
crente grifo: aperta, mas não amarra nada.
crente prumo: é bem certinho, mas se pegar no pé de alguém...
crente bucha: segura as pontas, mas abre o bico.
crente lixa: áspero, mas acaba com as farpas maldosas.
crente arame farpado: se você bobear ele puxa teu saco.
crente peroba: pau pra toda obra.
crente trena: vive medindo o outro.
crente serrote: adora uma divisão.
crente andaime: dá apoio, mas é um perigo.
crente prego de aço: não se dobra facilmente, apesar das porradas do pregador.
crente corrente: amarra o pastor.
crente textura: dá jeito em fachadas.
crente betoneira: não deixa a massa parar.
crente guindaste: se orgulha de levar as cargas.
crente cano: vive escondido, mas quando deixa vazar algo dá um broblema...
crente válvula-hidra: limpa a sujeira, mas não apaga a lembrança.
crente tijolo-baiano: todos acham feio, mas são os mais usados.
crente caçamba: é paradão, mas muito útil.
crente chave-de-fenda: penetra nas brechas.
Crente cal virgem: dá um ar de limpeza, mas não resiste muito.
crente pá-de-pedreiro: gosta de alisar as massas... Mas também a joga.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

As Lágrimas de Blanche Dubois


Tennessee Williams é o pseudônimo de Thomas Lanier Williams (1911-1983).
Segue uma pequena pesquisa desse autor, ao qual terei o desafio de revivê-lo nessa montagem. (que também tem cenas do "A Noite em que Blanche Dubois Chorou Sobre a Minha Pobre Alma" de Jarbas Capusso Filho, Premio Nacional de Dramaturgia Funarte 2003)

Já consagrado como autor teatral, Tennessee Williams usou discretamente seu dinheiro em um fundo para que a irmã Rose, deficiente mental, tivesse o melhor tratamento enquanto viva. Assumia abertamente a companheira fiel no difícil meio doméstico em que foram criados. Williams afirmou: ''Quase não preciso dizer que fui vítima de uma adolescência particularmente perturbada. '' Período que inclui uma doença grave, difteria com seqüelas e a excessiva atenção da mãe: ''Ela plantava em mim as qualidades típicas de um efeminado, para grande descontentamento do meu pai, um caráter rude e bruto.'' Nessas poucas linhas estão os alicerces do seu teatro.
Provavelmente, é o mais amado dos grandes dramaturgos norte-americanos da linhagem que inclui Thorton Wilder, Elmer Rice, Eugene O''Neill, Arthur Miller e Edward Albee (com quem guarda semelhanças temáticas).
O escritor, que cresceu no sul agrário dos Estados Unidos, compreende os nostálgicos de um mundo rural em declínio. Finalmente, e, sobretudo, é o artista dos desejos eróticos reprimidos. Essa compaixão pelos desajustados está em Um Bonde Chamado Desejo, Gata em Teto de Zinco Quente, De Repente no Último Verão, Rosa Tatuada, Doce Pássaro de Juventude, A Noite do Iguana, e curtas peças sonhadoras de um ato.

fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080625/not_imp195291,0.php

terça-feira, 24 de junho de 2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Definitivo

É definitivo:
nada em mim é definitivo...
Nem mancha de nascença,
nem marca de cicatriz;
até mesmo a minha crença
em minha melhor convicção
estará sempre por um triz.
Não tenho tatuagem;
não persevero num vício;
não adoro uma imagem
e não sigo comício.
Nada me é definitivo;
nem a micose nem a frieira,
objeto e objetivo;
nem eu, sem eira nem beira.

Canja de galinha e de pintinho

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Hollywoodianos e afins

Crente Walt Disney: sempre tem uma estória pra contar.
Crente Álien: baba quando fala.
Crente Predador: invisível, mas faz um estrago...
Crente Rambo: ninguém agüenta mais suas missões.
Crente Macaulay Culkin: sempre se esquecem dele.
Crente Magaiver: acha solução pra tudo.
Crente Shaekspare: no púlpito é bom em pregar peça.
Crente Richard Gere: faz apelo até às prostitutas.
Crente Johnny Deep: é pirata, mas agrada o público.
Crente Titanic: é profundo, mas ninguém quer embarcar na dele.
Crente Bergman: é “cabeça”, mas nada popular.
Crente Indiana Jones: faz pose de professor certinho, mas adora uma aventura.
Crente Almodóvar: é sempre um problema para os fundamentalistas.
Crente Harry Potter: chegado numa mágica e se sente O escolhido.
Crente homem-aranha: seu maior poder é amarrar os outros.
Crente Sexto Sentido: está morto e não sabe.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

sábado, 14 de junho de 2008

sexta-feira, 13 de junho de 2008

quinta-feira, 12 de junho de 2008

ca FÉ com LEI te (6)

Cumprindo o escopo de nossa missão, que é ajudar pessoas vítimas das neuroses produzidas pela igreja e seus abusos, conscientemente ou não, criamos o PROCONE: Proteção ao Consumidor Evangélico, ao qual, você que se sente vítima, poderá encaminhar suas queixas.
Por enquanto vamos seguindo com as in-adagações:

?ergunte ao ?astor

43-A torcida independente do São Paulo F.C., tem suas origens na IPI?
44-Que outro “apóstolo” também caiu do cavalo?
45-Quem ganhou a licitação da Reforma protestante?
46-Se Paulo pregou aos gentios, quem pregou aos mal-educados?
47- É problema da junta de missões, quando uma igreja não consegue articular seus membros?
48-O crente galinha é o que bota fé de verdade?
49-Lugar de bispo é no xadrez?
50-Apenas o rei, ou o bispo também leva cheque em alguma jogada?
51-E se leva cheque, como é que se safa: ele foge ou ataca com seus peões?
52-Um padeiro que virou pastor vai manipular melhor as massas?
53-Um excelente fotógrafo tem o dom da revelação?

terça-feira, 10 de junho de 2008

Chamando Jesus de Genérico

Confundistes denuncia com julgamento;
nem sequer rimam.
Querem ser tão cristãos
que insossos terminam.
Querem ser adequados ao mandamento
e confundem exegese com exigência.
Pretendem que todos lhe estimem
e não vão à rua... Ficam na sua.
Contentam-se com a liberdade que tem;
pudera, a ninguém incomodam...
Temem por qualquer tumulto.
É cínico, mas chegam a orar agradecendo:
“obrigado pela liberdade de culto.”.
Confundistes o denunciar com o julgar
e não ferem ferida alguma.
Preferem evangelizar com palavras vazias
a moverem seus corpos do lugar;
preteriram a arriscada, mas viva
pregação aos olhos,
pela linda, mas inócua
pregação aos ouvidos.

Julgamento é espelho quebrado;
denuncia é a cara pra se quebrar.
Julgamento é joio falando de joio;
denuncia é o apelo justo do Reino.

Ah, se Jesus houvesse confundido
denuncia com julgamento...
Talvez lhe tivesse sido melhor
e com setenta anos teria morrido.
Só falando de amor e paz,
não veria o Estado de opressão;
Só cumprindo os rituais,
não veria os abusos da religião.

Se denunciar é pecado,
Jesus foi o maior pecador.

O crente morre de medo do pecado
e de ficar mal afamado.
Esquece que a cruz a que tanto ama
é o próprio lugar do difamado...
Teme por sua reputação
e se orgulha de pífia ação;
vamos entoar um hino;
vamos cantar um cântico;
vamos fazer uma oração.
Confundistes denuncia com julgamento;
Mensagem do reino,
única e importuna,
com evangelho genérico,
bonzinho e barato.

Lançamentos da Editora Imundo Cristão


domingo, 8 de junho de 2008

TESE RESET


Também poderia chamar de Técnica de Reiniciar Pensamento. Mas preferi Tese Reset em prol do palíndromo que constitui. Tenho desenvolvido essa técnica há algum tempo e tem me ajudado. Carece de experiências com outras cabeças por isso ainda não posso sistematizar e nem difundir totalmente a tese. Mas já posso vislumbrar o título de um possível livro de auto-ajuda: Tese Reset – reiniciando seus pensamentos para melhor rodar sua vida.

Baseado em que todo ser humano pensa, com a mesma freqüência e os pensamentos norteiam nossas atitudes - assim como algumas atitudes desnorteiam nossos pensamentos – não devemos nos preocupar em parar de pensar, isso é coisa para os zens, mas sim sermos bons usuários da nossa máquina de pensar. Desculpem a linguagem excessivamente informatizada, mas é para que atinja a nova geração digital e virtual, que ao contrário do que muitos pensam, também pensam.
Talvez o que escrevi logo acima sobre que todos pensam com a mesma freqüência, já seja a primeira desconstrução de um pensamento corrente: alguns pensam mais do que outros; e por outro lado, consequentemente, alguns fazem mais do que outros. Não é verdade. Todos pensam a mesma quantidade de pensamento por dia. O que muda é o objeto e a intensidade do pensamento. A Tese Reset visa confrontar e desmantelar essa teia formada em nosso raciocínio, – ia usar a palavra rede, mais na moda, mas teia dá mesmo a idéia de abandono; coisas e espaços não freqüentados – qual seja: quem pensa não faz e quem faz não pensa. Um não pode admitir o outro. Será? O fazer é o pensamento em cena. Quem está fazendo, está pensando de modo concreto; pensando alto e visível. Se se comete um erro, não é porque não pensou, mas exatamente porque erramos também quando pensamos. A ação é o teatro do pensamento.


Mais tarde configuraremos melhor essa introdução à Tese Reset. Quero executar agora apenas a idéia do reiniciando pensamento, que prometi que pode ajudar. Consiste em reiniciar um pensamento difícil, chato, complicado, angustioso, amedrontador, perigoso, etc. Você, sendo o usuário administrador da sua máquina pensante, deve ter esse domínio assim que perceber que há algum conflito interno. Essa reinicialização do pensamento, pode se dar tão simplesmente desligando a máquina ou fazendo um logoff para uma outra área. Esta última é a técnica mais eficiente, da qual tenho utilizado. Antes de dar um exemplo, devo lembrar que o pensamento, embora nosso, não é sujeito à nossa vontade deliberada. Ele simplesmente vem, a hora que quer e com a força que quer. Ninguém tem uma logística de pensamentos; um sistema de forma linear e inteligível, ou sequer determina o que vai pensar daqui a poucos minutos. Ele pode estar ligado a uma cena, imagem ou a alguma razão desconhecida do nosso porão psíquico.


Você está fazendo uma caminhada num parque; a máquina está ligada, os programas rodando, paus, erros fatais e observe como vão os pensamentos, desconexos, esquizofrênicos, banais, nobres, vexatórios; não tem sintaxe nem verbos de transição, nem pontuação, muito menos ritmo, só um desfile contínuo de dados; só dados. (putz! Só dados, outro palíndromo. Viram como um pensamento se intromete e não respeita nada?!) Então é mais ou menos assim a partitura dum pensante, caminhando no parque, por exemplo: ...Isso vai fazer bem, mas precisa ser todo dia que árvore bonita e ontem não não quero pensar em ontem só vou andar vou cantar que musica? Esse tênis é bom nossa será que vou ficar assim como esse cara? Isso faz bem pra mente minha mulher já acordou será? Vou cortar o cabelo hoje é... quinta tem amanhã ainda... que eu vou fazer sábado? Cassete não liguei pro Mário tenho que arrumar um dentista quantas voltas darei em uma hora... Esqueci o celular a Rosa deve estar me ligando quantas coisa inventarão pra gente carregar, mas ajuda... Cachorro bonito, acho que não tenho mais paciência pra sair com cachorro e ainda agora os caras ficam pegando cocô... Não quero passar meus últimos anos catando cocô caramba já to cansando só vinte minutos tá esfriando será que a Tetê levou blusa à tarde ligo pro Mário deixa eu vê o que vou falar... o cara é chato por que eu tenho essa dificuldade que vontade de mijar quero ver se to ainda com aquela dorzinha que deu de manhã preciso fazer uns exames... putz! Esqueci que a Rosa vai precisar do carro à tarde... essa moça acho que vem todo dia aqui... isso é perigoso a rotina uh quase pisei... o cara tem que ser muito doente pra estuprar alguém preciso fazer alguma coisa com aqueles livros do meu pai limpar aquilo não dá nem pra entrar...por no carro e quando passar num sebo vendo troco...deixo respirar prestar atenção to respirando errado acho que vou pegar o celular dá sempre a impressão que alguma coisa ruim tá acontecendo quando não estou com ele preciso parar com isso a Tetê logo vai pedir um... Incrível por mais que eu veja pessoas todos os dias não conheço ninguém...

De repente, nesse rio que aparentemente corre pro nada, se encaixa um tema problemático e que te “pega”; tal problema tem força em si de se fixar e você passa a se remoer, imagina situações limítrofes, fantasia, e se chega ao clímax do estado nervoso pode ser muito ruim; muito mais do que precisa ser. É aí – finalmente - que entra minha Tese Reset. Assim que perceber que se lhe apoderou um pensamento desses pegajosos, dê um reset na mente: comece imediatamente pensar em outra coisa, use imagens à sua volta se necessário; o coldre do policial encostado na parede; os desenhos que fazem as rachaduras da calçada; tente adivinhar o que a próxima pessoa que passar por você está pensando; cante uma música, conte os postes, coisa assim. Já sei o que você está pensando: não adianta, aquele pensamento voltará. Sim, com certeza voltará, mesmo porque temos um searche instalado que fica procurando as coisas na mente tipo “o que eu estava pensando mesmo?”. Mas aí é que está o segredo revolucionário dessa técnica que ora apresento de forma embrionária: o pensamento voltará, mas bem mais fraco quase ridículo.


Vou dar um exemplo dessa técnica que hoje mesmo apliquei em mim: Do nada, me peguei pensando um pensamento muito ruim. Só que na minha fantasia eu já estava elucubrando como ia açoitar uma pessoa com meus argumentos, numa questão em que estava supostamente sendo injustiçado. Aquilo estava me fazendo mal e a tempo consegui resetar. Quando voltei, algum tempo depois ao pensamento até ri. Era uma situação inexistente na qual eu estava me imaginando – mas dentro do pensamento era real – cuja possibilidade de acontecer era nula. Neste momento, quase sempre concluo: que estúpido! Contudo, melhor ser um estúpido aliviado a um pensador neurotizado.
Por enquanto é isso. Pratiquem. Estarei no endereço abaixo para dirimir suas dúvidas e trocar experiências. Agora vou dar um reset também nesse assunto antes que me domine a obsessão.


Wilson Tonioli
Personal Thinker
www.tesereset.com.br

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Cena Ecológica

artista: Cerezo Barredo - fonte http://www.servicioskoinonia.org/

Esse foi minha amiga Roseli Oliveira lá do Surll que me indicou.
Para mim Cerezo retratou exato, o sonho do Reino de Deus.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

ca FÉ com LEI te (5)

?ergunte ao ?astor

32-Uma igreja que expulsa um crente do campo missionário, aplica antes o cartão amar-elo?
33-Uma obra em que um missionário trabalha, mas que foi seu tio quem fundou é uma obra prima?
34-Não dando pérola aos porcos, os palmeirenses ficarão mais pobres?
35-Um palhaço que se converte deve freqüentar a comunidade da graça?
36-Os profetas menores podiam beber vinho e conduzir camelos?
37-Se somos sal, o irmão ruim de bola seria o sal grosso?
38-Há carecas na igreja pentecostal?
39-Ou, há pentecostal no calvinismo?
40-Quem apostata faz mais fezinhanha?
41-O mosaico é uma técnica criada quando Moisés quebrou as pedras da lei e alguém colou pedacinho por pedacinho; falso ou verdadeiro?
42-É verdade que todo seminarista espera que sua esposa toque órgão?

terça-feira, 3 de junho de 2008

Sexos outros

Sexo anal: o que é praticado uma vez por ano.
Sexo anal’: praticado por anões.
Sexo gardenal: quando acaba com as convulsões no relacionamento.
Sexo global: quando o grande f...orça o menor à pratica.
Sexo informal: quando dispensa o uso de camisa.
Sexo moral: quando deixa uma lição.
Sexo oral: quando se ora antes e depois.
Sexo oral’: quando o verbo é mais importante que o predicado.
Sexo ronal: quando quase praticado com travestis.
Sexo casual: quando praticado no casamento.
Sexo Ctrl Alt Del: quando trava no meio e você tem que finalizar o programa.
Sexo uau!: quando você não acredita que foi você quem fez.
Sexo sazonal: praticado na zona de vez em quando.
Sexo verbal: quando é cobrada uma verba.
Sexo verbaal: quando é praticado com ídolos.
Sexo adverbial: quando se leva em conta tempo, lugar e modo para a prática.
Sexo virtual: quando você consegue visualizar, mas não executa.
Sexo virtual precoce: Quando você mal clica no aplicativo e ele já baixa.
Sexo etc. e tal: quando dispensa mais falações.

Seria mágico se não fosse evangélico: da impossibilidade de a arte existir na religião evangélica (2)


Universalidades

A maneira como a igreja trata com os temas universais e a resposta rápida que espera obter dos fieis, choca-se com a maneira com que a arte trata das mesmas coisas. Na igreja tudo deve ser tratado de forma sistemática a não deixar sombras de dúvida. E o ouvinte já se acostumou com isso. Mesmo porque, não há tempo para pensar, quem dirá refletir. Tomemos um sermão, por exemplo; ele é uma peça de oratória já fechada, conclusiva que quase sempre pinça um tema das universalidades e tenta mastigar para que o ouvinte tenha uma boa digestão e compreensão. Por mais profundo que seja esse discurso, esse ouvinte tem pouco tempo - para ser exato, uma semana – para a absorção ou não da mensagem, pois logo vem outro e mais outro. Como toda exegese está apoiada e revestida de uma “autoridade” própria daquele que prega, o escutador não se preocupa com o que lhe é instalado e vai dizendo amém a tudo, mesmo, como é comum, que alguém, no próximo domingo, fale exatamente o oposto ao que foi dito antes, e isso não em benefício da dialética.
No teatro, ou na arte de forma geral, os temas não são tratados assim. Ela liga um botão do nosso liquidificador e deixa ligado e o expectador vai processando. É sutil, ambíguo, e às vezes tão aparentemente insignificante que o “vazio” não é preenchido. É diferente porque agora eu saio perturbado e ao mesmo tempo motivado. Eu me questiono, eu me revolto, eu me vejo no outro, perco meu chão, mas me sinto mais humano, mais seguro.
Pensem: o próprio Jesus era um contador de estórias, que através do concreto e comum, feria as convenções dos temas universais e tanto seu texto como seu corpo trabalharam para uma peça perturbadora que até hoje estamos tentando perceber.

Dostoievsky disse que as grandes questões humanas só podem ser tematizadas pela arte. E como ela faz isso? Na exaustiva exploração das coisas pequenas. O relacionamento de uma arte com o universal torna-se tanto mais profundo quanto menos ela tenha a ver explicitamente com universalidades. E quanto mais se impregne com seu próprio mundo, suas expressões...
Theodor W. Adorno, um crítico de Marcel Proust, crê que este atingiu um grau de universalidade insuplantável na literatura moderna – nisso, não é apenas ele que afirma. Mas consegue isso com uma obsessão pelo concreto. Uma precedência ao frívolo em detrimento do essencial. Pela insistência ao fútil, ao insignificante.
Bem, precisaríamos bem mais que um mero blog pra falarmos disso e de Proust. Pretendo apenas levantar essa bola do imediatismo que há no meio, ou na cultura evangélica de querer abraçar um todo sem nem ao menos tentar observá-lo de longe.
Temos pouquíssimo, quase nada mesmo de teatro levado para a comunidade, mas e as obras literárias? Pergunte a um “irmão” qual foi o último romance que leu. Preferem livros de vida eclesiástica, teologia prática, bíblica, coisa assim. O que precisam já está ali. Pra que perder tempo em procurar num Proust, num Kafka, num Flaubert, num Machado...