sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Estado Terminal

Minha hérnia de disco
só toca música fúnebre.
Minha ponte-de-safena
desaba em rio lúgubre.
Minha diverticulite
não me diverte mais;
nos meus cálculos renais
é esclerose múltipla
que me conta gotas...
Meu bico-de-papagaio
comigo já não tagarela.
Minha febre amarela
pinta uma alma pálida.
Mataram o minotauro
da minha labirintite!
Meu ataque cardíaco
há muito não marca um gol.
Minha rosácea murchou,
minhas cataratas secaram,
meu intestino preguiçoso...
Enfim se aposentou.

Espero nesse terminal,
ônibus que me tire desse estado.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

I Fórum Nacional de Cristianismo Criativo

Adorei ter participado ontem do Fórum Cristianismo Criativo . Pena que foi bem curto o tempo para o debate. Quando parecia que começaria esquentar, acabou. Falei um pouquinho da minha experiência com esse teatro amador e deixei de lado as questões filosóficas; aliás não sei nem onde foi parar as três páginas que escrevi sobre o porque não dá certo teatro na igreja... Mas escrevi lá também uma esperançazinha de possibilidade, e que não foi possível falar, pois tomaria um tempo maior, uma vez que teria que atravessar um campo árido da teologia.
Ainda bem que o Carlos Eduardo preencheu dando um pouco mais de conteúdo a assunto tão abrangente.
Enfim, valeu muito pela iniciativa. Agradeço ao Whaner que me convidou, por indicação do Pavarini, meu novo companheiro que, como eu, gosta de "pimenta".
Na correria, esqueci-me de apresentar pessoas que me ajudaram ali numa pequena intervenção de cena que foram: Luciana lira, no papel de Arte e Luciana do Vale, no papel de Religião, Ambas do nosso grupo de teatro lá do Raízes; e no esquete final que fizemos, eu (Pedro) e meu filho Filipe (André).

Confiram as fotos e mais informações sobre o Fórum:
http://www.w4editora.com.br/2007/10/i_forum_nacional_de_cristianis.html#more

Minha Casa




quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Pedi a Judas

Pedi a Judas,
aquele, o Iscariotes,
que me contasse,
diante dos holofotes
como passava os dias
e, se não se importasse,
a sua versão sem cortes
das suas dores e agonias...
Indaguei, se o suportasse,
como é a falta do ar,
como é o beijo em Deus...
Beijar o amor na face
e morrer de atrevimento.

Pedi a Judas
que me ajudasse
no estrangulamento
do meu Judas;
no nó em nós,
na força da forca
que acaricia o pescoço
quando tudo é sufoco...
Corda que desacorda.

Pedi ajuda.
Pedi a Judas,
aquele, o Iscariotes
que tem isca no nome,
que atrai o amigo,
como é que se some
com as rimas da morte.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

domingo, 4 de novembro de 2007